Dizem que eu voltei, mas é mentira

Dizem que eu voltei, mas é mentira. Estou agora em dois lugares. Um pouco em cada. Como num elevador eque para metade em um andar, metade em outro. Eu não queria ir embora, digo voltar de lá. E agora a porta emperrou. Não porque a vida cotidiana prática é ruim, mas porque venho de uma fase em que estive rigorosamente contaminado pela lucidez. Tipo saber que o mundo é cruel a cada 3 minutos de timeline, estar rodeado de sociólogos vespertinos que eu mesmo mantenho em meu feed, absorver o pessimismo da realidade e ficar doente dela. Isso tem um custo emocional – seja lá o quanto tem de egoísmo nessa confissão. Em algum momento do ano passado me vesti do desanimo do mundo, acatei a fórmula dos que sempre gozam de informações privilegiadas, aos que nunca se enganam, ou acham que nunca se enganam, que o golpe esta por vir . Não deixei mais ninguém errar perto de mim, justo eu. Qual a vantagem?

Virada de ano. Melhorei um pouco. Cerquei-me de energia juvenil no meu último trabalho. Voltei pra mim, porque os jovens tem esse poder de nos lembrar de que ainda somos jovens. E então parti. Eu e meus últimos restos & versos. Viajar me permite sempre um exame existencial de rotina. Quinze preciosos dias pra fazer um check up nas minhas validades, vaidades, opiniões, vícios, me entregar aos esquecimentos, enxergar coisas que estavam desgastadas, sem manutenção. Me perguntar de mil maneiras o que houve comigo, o que houve conosco?

Primeiro essa noção inevitável de sobrevivência, de que se eu ficar doente sou eu por mim. Existe a solidão e existe ficar doente sozinho. Talvez ficar doente sozinho seja até mais solitário do que a própria solidão. Mas em toda a sua extensão de significado há um tipo de noção que só é notável em condições adversas. Um país com outro idioma, você sem nenhum conhecido, sem ter certeza se tem dinheiro pra pagar um pronto-socorro. E de repente a febre passa, misteriosamente, porque ela precisa passar. Comigo já aconteceu.

Com alguns quilômetros rodados a gente num é mais tão ingênuo assim. E então o mais precioso de tudo são as pequenas inocências que ainda persistem. Ler “push” e puxar ao invés de empurrar. Ver esquilos passando e tirar fotos-baba-ovo de algo que pra eles é tão normal quanto uma pomba pedinte.

Reparar em eventos excepcionais que você ainda está aprendendo a lidar. A “tensão de deslocamento”: o dia de se locomover para outra cidade. Você ainda não consegue administrar a ansiedade de se algo der errado. Não ouvir o despertador, perder o avião, não ter a certeza se sua reserva de hostel está mesmo confirmada.  E então tudo parece um sorvete em que a primeira bola já derreteu. Nesses dias não sei aproveitar e deixar o deslocamento pra lá. A partida em mim ainda é perturbadora. Ou o que eu deixo, sem nem saber o que de fato eu deixo. A partida é um tipo de desapego.

O “dia de rei”. Um dia em que você mesmo ciente de que esta numa viagem cara, parcelada, num lugar em que talvez você nunca mais volte, com dias contados, resolve desmarcar tudo e se dar de presente uma tarde de sono, ou de ócio. Um descanso dourado, em que há uma desespecularização dos valores atribuídos. É quando você abre mão de algo aparentemente valioso e agrega valor a algo aparentemente tolo. Existe nome pra esse sentimento?

(Insisto nisso, em ser alguém que passa a vida se procurando em algum lugar, que tenta entender a duração das eternidades finitas – como se os olhos pudessem correr distantes de mim, engolidos do futuro.)

Aprender a perder o irrecuperável. Você já perdeu algo material em uma viagem? Eu já. O meu tênis predileto. Um que eu jamais irei achar igual. Que não é mais fabricado. Que era de estimação. Que eu esqueci dentro de uma lotação apertada em algum lugar da Colômbia. Alguma lotação que eu não sei o número da placa, a empresa, nem gravei o rosto do motorista. Aprender a perder. Por mais efêmero que isso seja. Perder o orgulho de ostentar pra si a posse de algo. Viajar é também sobre perdas. Os danos de se seguir em frente, porque mais tarde tem algum ganho novo, intangível, eu sei.

A volta. Esse gostinho que fica e que não passa.  A lembrança dos dedos do mar. Dessas coisas que nem aconteceram. Essa saudade não dos fatos em si, mas de como é grande a minha imaginação.

Squats: veja como funcionam essas ocupações político-artísticas pelo mundo.

Você já ouviu falar dos Squats?

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Um squat é uma forma de agrupamento rebelde e independente, que agrega pessoas sem capital para arrendamento privado. Alguns dizem que a prática é crime, outros defendem ser um direito civil. A lógica de ocupação geralmente é dirigida à imóveis ociosos, principalmente em esfera pública. Esses coletivos são divergentes em relação a lógica capitalista, geralmente possuem um DNA anarquista e buscam implantar sistemas produtivos alheios ao mainstream, em maioria político-artísticos, dentro do local ocupado. Os posseiros dividem as tarefas domésticas de forma colaborativa e tudo funciona baseado na auto-gestão. O cotidiano cooperativo desses grupos engloba a prática gentil, com serviços abertos e gratuitos ao público: oficinas de reparação de bicicletas, aulas de soldagem para cinemas, bibliotecas ideológicas e sala de ensaios equipada de diversos instrumentos etc. Muitos dos squats ganham o aval do governo ao provarem – não sem muita resistência –  que são úteis à comunidade.

Liebig 34 – Berlim

Se intitula como um coletivo anarco-feminista, fica localizado na área de Friedrichshain próxima ao rio Straße. Ali vivem cerca de 40 pessoas, todos defendem que o uso de bicicleta é um ato político e promovem o sistema de trocas de bens matérias.

http://liebig34.blogsport.de/

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Pizza de portinha – Favoritei em Curitiba

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no numero 289 da Rua Trajano Reis – a Augusta curitibana – existe uma portinha que abre de terça a sábado, e nos oferece uma pizza assimétrica que se reveza no sabor a cada fornada. Tem marguerita, abobrinha, e a massa tem um gostinho caseiro e notas vindas da lenha do forno.

os pizzaiolos são estilosos assim como a clientela alternativa que vai do quadriculado ao batom fatal.

mas o grande diferencial desse lugar são os sucos integrais de uva,  nas versões  branco, rose e tinto. deliciosos pra acompanhar cada mordida. não percam!

Trippics: [mais] uma rede social de compartilhar viagens.

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A “ideia” surgiu de um papo de viajante entre o pluri-coisas Bruno de Luca e o ator Thiago Rodrigues. Uma rede social que compartilha relatos, fotos e dicas de viajantes. Já vimos esse filme antes, e ele se chama Trip Advisor e mais outros trocentos sites do tipo. De diferente, um layout menos poluído, menos habitado, menos gasto, mais organizado.

Nas fotos do perfil de cada viajante, você pode marcar a opção “já fui” , “quero ir” ou apenas o coração que significa “curtir”.

Dizem que o Trippics já é habitado por mais de 60 mil internautas.

Confira aqui.

 

 

 

 

10 foto-motivos para você ir a Lisboa

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O Oceanário reside no mar, junto das poesias de Sophia de Mello, aquários poéticos.

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O amarelo envelhecido nos rodeia pelas calçadas.

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e eu fico imaginando três senhorinhas na janela, fofocando.

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O Bairro Alto é um brinde ao luar, e a Rua do Diário de notícias é tão especial.

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Andar no Bonde 28 e visitar cada canto.

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Imagine um bar em que a cadeira é a própria escada? Muitos tapas saborosos

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Se não for o verdadeiro pastel de Belém, é pastel de nata.

 

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Cascais a vila de pescadores mais linda da vida.

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que tal uma noite que começa tarde, bem tarde, tipo 2h da manhã. Assim é a noite lisboeta.

Ei viajante: que tal um paraíso regido por índios Kuna, pra lá do Panamá?

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São 365 micro-ilhas, menos de 40 são habitadas, é sobre o que existe no espaço de um olhar apaixonado entre  Colômbia e Panamá. Muita areia branca e talvez o lugar mais “puro” do Caribe. San Blás ou a comarca de Kuna Yala possui entre seus atrativos a hospedagem em cabanas com paredes de bambu e tetos de palha, você dorme em redes, mas dizem que o mais interessante lá é a integração do viajante com o indios Kuna. <3

#quero

Ei viajante: que tal uma linda lagoa com águas geotermais na Islândia?

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Na Islândia, existe um lugar dos sonhos que eu já me prometi ir um dia: a “Lagoa Azul” é um lago composto por águas geotermais  localizado em Grindavik – a 45 minutos da capital Reykjavik. A temperatura da água chega a 39 graus, e existe abundância de sílica, e propriedades que retardam o envelhecimento. A visitação é cobrada: para adultos custa 33 euros de janeiro a maio e 40 euros de junho a agosto.

 

 

10 foto-motivos para você ir a Nova York

Porque você deveria ir a Nova York, em 10 foto-motivos.

Você nunca volta para a Nova York de antes, Nova York é uma noiva em fuga, é sempre hoje, amanhã já é ex.SAM_3938d

Ser louco, andar pela St Marks Place, suas cores, seus delírios.

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invadir brechós malucos, cheios de badulaques e roupas de levar.

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Passar “uma noite no museu”.

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notar a solidão dos cavalos brancos dos carrosséis ou das charretes do Central Park.

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Voar com a Mary sem guarda-chuva, bagunçar pela Broadway.

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Colocar o pé no banco – tão Nova York.

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ter dó de pisar nas folhas, coloridas.

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ver o outro e se achar um “estranho normal”.

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admirar os outros admirando…

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passear por fazendas no asfalto.

10 foto-motivos para você ir a Florença;

Porque você deveria ir a Florença, em dez foto-motivos:
Florença tem senhoras e senhores de terno andando elegantes em suas bicicletas pelas praças, e tem um fim de tarde nostálgico, pulsante, um céu que desperta saudade.

Florença é capaz de tornar irresistíveis os tons esverdeados:

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e de tão bonita passa rápido.

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e lá tem casas que guardam saudades enfeitadas: vermelhas, amarelas.

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Ir com o seu pai a Florença e deixar ele ser italiano, brincar de ser.

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O meu olhar é pincel. É cena de quadro. É fácil.

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Um carrossel de presente, sem querer, tirei do embrulho, sem dar voltas, olhei, olhei.

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se sua mãe estiver com você em Florença, tire foto feito filho babão.

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Tire foto da gravata mais linda que você já viu. gravata que seduz de linda e de cara.

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tire uma soneca na praça, não tenha medo do chão, mereça.

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A Toscana nos enfeita. do que é belo. é do belo que falo.

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5 lugares do mundo de querer ir depois de ver a exposição “A Terra vista do céu” no MASP.

Tudo começou na “Eco 92″ a Conferencia das Nações Unidas. O fotógrafo e ambientalista francês Yann Arthus- Bertrand decidiu que faria uma jornada pelo mundo tirando fotos aéreas feitas a partir de balões e helicópteros, retratando lugares inspiradores e suas fragilidades causadas pela intervenção humana.

A mostra itinerante está em exposição na área livre do MASP e no Parque Trianon. São 130 fotografias que nos despertam vontades, nos fazem viajar e fazer planos, alimentam os olhos.

A entrada é gratuita e vai de 15 de Outubro a 15 de Dezembro.

Confira as minhas 5 fotos favoritadas na exposição:

HABITAÇÕES DOS ÍNDIOS KUNA, ILHAS ROBESON, ARQUIPÉLAGO DE SAN BLAS, PANAMÁ

HABITAÇÕES-DOS-ÍNDIOS-KUNA-ILHAS-ROBESON-ARQUIPÉLAGO-DE-SAN-BLAS-PANAMÁ

LAGOA AZUL, PERTO DE GRINDAVIK, PENÍNSULA DE REYKJANES, ISLÂNDIA

LAGOA-AZUL-PERTO-DE-GRINDAVIK-PENÍNSULA-DE-REYKJANES-ISLÂNDIA

O OLHO DAS MALDIVAS, ATOL DE MALÉ NORTE, MALDIVAS

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SECAGEM DE TÂMARAS, PALMEIRAL NO SUL DO CAIRO, VALE DO NILO, EGITO

SECAGEM-DE-TÂMARAS-PALMEIRAL-NO-SUL-DO-CAIRO-VALE-DO-NILO-EGITO.

VILAREJO DE KOH PANNYI NA BAÍA DE PHANG NGA, TAILÂNDIA

VILAREJO-DE-KOH-PANNYI-NA-BAÍA-DE-PHANG-NGA-TAILÂNDIA.

 

Veja todas os 130 lugares retratados no site da exposição.