Um livro que é uma peça que sou eu, que é você, que somos todas as histórias.

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Te acho paciente na forma de explicar. Mas você é prolixo para responder perguntas muito simples, você se alonga com sinônimos, é redundante, e eu acho que prolixidade não deve ser obrigatória. E eu odeio o fato de você ser monossilábica deu ter que sempre inventar o assunto que iremos conversar e ser obrigado a ouvir da sua boca que eu toco sempre no mesmo assunto de sempre. Você não faz esforço algum para que tenhamos um assunto novo e ainda me acusa de falta de originalidade. Quando sou prolixo escrevendo, não estou obrigando ninguém a ler. Mas quando você é prolixo falando, eu não posso simplesmente te interromper e pedir para que você seja mais objetivo. Você irá se ofender.

Eu amo conversar com você porque eu sinto que você realmente me ouve, me acompanha com movimentos de sobrancelha e arregala o olhar mostrando envolvimento. Eu sei que eu pago por isso, mas eu queria que você soubesse que você me ouve muito bem, e eu acho que você é assim mesmo com quem não te paga. Você tem uma voz que envolve, um timbre antipático e sensual, e você gesticula com as mãos enquanto fala, e tudo é uma dança linda, ainda mais pelo fato de você usar palavras estratégicas no meio dos seus discursos. Palavras selecionadas como em uma carta de vinhos. Há um buque que interfere na frase toda e se espalha em nós sem enjoar. É uma pena você estar tão longe. Você me desperta ideias novas, gosto de ir escrevendo mentalmente enquanto você fala, e aquela tarde mágica sempre será um cartão postal da nossa história. Uma vez te chamei de poetisa, e eu tenho a certeza disso, você seduz não só por ser linda, você também seduz enquanto fala. Eu jamais abriria mão da sua sabedoria, você diz coisas que a sua geração geralmente não diria.

Sim, tudo o que você escreve é inteligente, e bastante longo e você insere sempre uma citação, metáfora, alegoria pertinente ao assunto, mas eu às vezes me canso um pouco desse excesso. Parece que o seu pensamento borra a escrita, e você usa analogias confusas, e eu sinto falta de você escrever coisas menos rebuscadas, sem nada na frente, dando apenas a mão, sem usar luvas. Você é uma intrusa do tempo, e eu te deixo invadir minha casa, mesmo quando você me cerca com essa curiosidade discreta e ao mesmo tempo sem disfarces.  Eu amo conversar com você, talvez seja a pessoa que eu mais goste de conversar no mundo, a gente se ajuda e troca aprendizados, ninguém economiza no apoio ou no amor. Às vezes noto você tentando me copiar, e é engraçado, porque fica melecado, e você usa alguns termos difíceis e fora de hora, e acaba sendo hermético, e você se reveza em camadas de acesso ao seu pensamento que deixam o leitor um pouco sem saber para onde você está indo. Você é a prova de que uma pessoa quando escreve não necessariamente a mesma quando fala.

Prefiro você falando, mesmo sabendo que quando você não tenta ter um estilo, você escreve muito bem. Você vive se proclamando escritora, a melhor escritora, e tudo o que você escreve é tão sem impacto, você nunca é inovadora, você é só uma pessoa tentando toda hora mostrar que é inovadora. Esse livro brinca com esse fluxo tão legitimo e caótico e belo. Então resolvi misturá-lo aos meus rabiscos, sem que você saiba onde eu termino e ele começa, onde é você e onde sou eu, se é que existe alguém aqui. Você não é descolado, você é apenas uma pessoa insegura tentando o tempo todo mostrar o quanto é descolada. Você da a entender pelas suas implicâncias virtuais, que um bom escritor é principalmente aquele que tem um bom domínio gramatical. Eu discordo, acho que o bom escritor sabe rir inclusive da gramática e brincar com ela. Ser bom em Gramática quer dizer apenas que você é bom de guardar regras, e mais nada. Você tem uma mania grosseira de me interromper com o seu celular ou com alguma piada fora de hora. E isso acontece sempre. Grave não é a falta de um conselho bom. Grave é a falta do ouvido e eu percebo quando ele não está e tenho saudade de quando o nosso assunto nunca acabava.

A madrugada ia, sem hora pra voltar e estávamos ali, entretidos em alguma conversa existencialista ou alguma DR que eu inventava entre a gente só pra lua continuar nos assistindo. Agora estou lendo esse livro que também é uma peça de teatro. O livro não tem uma capa anunciando o próprio nome. Você deve abri-lo para perguntar. O livro então te obriga a puxar assunto com ele. E você pode abrir em qualquer página já que nele a conexão está na desconectividade. E embora pareçam apenas dois personagens em pensamentos que se misturam, acho que ali existem milhões de personagens. Os pensamentos são um sem fim de pessoas. Sou eu, sou você, que às vezes somos um só e vários outros. Esse livro faz parte de mim, do meu pensamento. E se eu estou aqui escrevendo o que penso, não há separação entre o que penso e o que leio. Os pensamentos não possuem números de página, nem esse livro.

Eu teria que colocar aspas aqui. Aspas. Tem uma coisa que sempre me angustiou. Eu vou tentar explicar. A nossa capacidade de reconhecimento é um espaço cognitivo muito complexo. Eu to querendo dizer que eu posso olhar pro seu rosto, como eu to fazendo agora e amanhã, por exemplo, se eu cruzar com você, eu vou poder te reconhecer. Mesmo que eu não me lembre de onde, o meu cérebro vai acessar a imagem do seu rosto e eu vou me sentir um pouco estranho quando eu perceber que acabei de reconhecer um rosto conhecido. Quando eu falo um pouco estranho, quer dizer que o seu rosto vai me tirar do estado normal de passagem, de rotina, de cotidiano emocional e eu vou acessar algum sentimento diferente de qualquer outro que eu poderia controlar. Tudo isso pelo simples fato de eu olhar pra você e reconhecer o seu rosto. Tudo isso pra falar que de acordo com a profundidade da nossa relação, a cognição do reconhecimento de um rosto aumenta. Quanto mais profunda for a nossa afinidade, mais reconhecível será o seu rosto para mim. Isso quer dizer que no meio de vinte, oitenta, cem mil pessoas, eu vou poder reconhecer o seu rosto assim que meus olhos passarem por você. Por fazer parte das categorias involuntárias da cognição. Isso quer dizer que o extremo disso, seria eu reconhecer o seu rosto em qualquer outro lugar que não seja o seu rosto. Isso quer dizer que o extremo disso, seria reconhecer o seu rosto numa parede branca, num furo nessa parede, na minha mão, numa arvore, no sapato de alguém, num prédio, numa nuvem, na lua e inclusive no rosto de qualquer outra pessoa. E é exatamente isso que sempre me angustiou, se algum dia você reconhecer o meu rosto no rosto de outra pessoa, o que eu vou fazer para você poder me reconhecer de novo? Aspas. Esse texto todo está no livro, na peça, no meu pensamento, fala do meu pai, de um ex-amor, do meu terapeuta e dos autores dele: joão dias turchi e gustavo colombini. E não à toa os autores assinam seus nomes em minúsculo. Isso pode querer dizer muita coisa, inclusive que eles não são os autores. Mas ainda assim preciso dizer o nome desse magnífico livro ou experimento ao qual me sinto cobaia. “Histórias para serem lidas em voz alta”.

 

A Idade do Serrote

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“Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.” Freud


Após ouvir essa knew quote de um professor de Psicanálise da faculdade, eu passei a prestar atenção em como as pessoas se referiam as outras. Esse tipo de observação terceira me ajudou a traçar sinopses mais precisas em meus espaços sociais. Quando falamos de nós, tendemos a enfeitar nossos espelhos, mas quando o assunto é o outro, a gentileza tende a atravessar a rua.

A articulação do passado norteia o arranjo em prosa poética traçado por Murilo Mendes em “A Idade do serrote”. Um livro garboso, que basicamente resgata o tempo em forma de pessoas. Pessoas descritas de uma maneira que eu nunca vi. Um mundo cheio de cirandas & cirandinhas para quem gosta de escorregar para dentro dos olhos de quem bonito enxerga. A cada passar de folha branca, um sem-fim de palavras novas, descrições com cheiro de doce no fogão, humans of Juiz de Fora – que é uma linda funcionária da poesia.

Sobre como viramos um pouco daqueles que nos servem de referência, nossos mestres de vida, todos eles, inclusive aqueles que não destilam ofensas parnasianas. [Que bom que eu tenho ídolos e eles sabem]. Um livro-documento e nós, amarrados pela arte de desvendar o corpo vizinho: um gesto, um trago, um jeito de mentir, mentira fresca, quem tem? Aluga-se um pomar para escritores, rico em cheiros lambuzantes, pegadas na terra, milagres de Domingo. E as mulheres, deusas em pedestais merecidos, cada uma com seu colar, um esmalte ou um botão com cara de joaninha.

“O prazer, a sabedoria de ver, chegavam a justificar minha existência. Uma curiosidade inextinguível pelas formas me assaltava e me assalta sempre. Ver coisas, ver pessoas na sua diversidade, ver, rever, ver, rever. O olho armado me dava e continua a me dar força para a vida” pág 163

É isso, agora sei para onde vou, vou olhar à janela, ver gente passando.

Aquela Água Toda

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“Aí ela disse que o mundo era como o alfabeto, feito de vogais e consoantes. As vogais eram sons que nasciam quando o ar saía livremente pela boca. As consoantes não: os lábios, os dentes, a língua e o palato criam obstáculos à passagem do ar quando a gente as pronunciava. Eu era uma vogal e tentara passar livremente pelo portão, mas as meninas, consoantes, haviam me impedido. E se existissem apenas vogais, ou só consoantes, o mundo teria de ser escrito de outra maneira; o bonito era que podíamos fazer inúmeras combinações.”

meu último livro do ano, veio leve e tenro. “Aquela água toda” do Carrascoza derrete na boca, e estranhamente parece nos preparar para o passado. tudo o que já foi, vem de novo, sem peso, em forma de maré, pra gente ficar de bem e flutuar depois.

11 contos e um mesmo amor, que cresce daqui.

O livro das perguntas – Pablo Neruda

 

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O livro de perguntas de Pablo Neruda. Poesia em perguntas já viu? Flores interrogativas. E as figuras? Guarde sua tarde.

“Porque é que não ensinam a tirar mel do sol aos helicópteros?

Onde é que a lua cheia deixou
o seu saco noturno de farinha?

Se já morri e não me dei conta
a quem perguntarei a hora?

De onde tira tantas folhas
a Primavera de França?

Onde pode viver um cego
perseguido por abelhas?

Se se acabar o amarelo
com que é que vamos fazer o pão?

Porque é que as árvores escondem
o esplendor das suas raízes?

Quem ouve os remorsos
do automóvel criminoso?

Haverá algo mais triste no mundo
que um comboio imóvel na chuva?

Quantas igrejas tem o céu?

Porque não atacará o tubarão
as impávidas sereias?

Conversará o fumo com as nuvens?

É verdade que as esperanças
se devem regar com orvalho?

Que guardas na tua bossa?
perguntou o camelo à tartaruga.

E a tartaruga perguntou:
E tu, que conversas tens com as laranjas?

Terá mais folhas uma pereira
que em Busca do Tempo Perdido?

Porque se suicidam as folhas
quando se sentem amarelas?”

O sal da vida. trailer de livros.

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O que a Françoise Héritier faz nesse livro é quase uma canção, longa, leve. trata-se de uma frase gigante, que dura o livro inteiro e enumera um emaranhado de pequenos prazeres, e o detalhe do belo cabe em nossa imaginação. Poesia, imaginação e profundidade ao seu dispor:

“…não dar as costas para a desgraça alheia, manter a amizade como um compromisso, ficar absorvido na contemplação do trabalho de um formigueiro, andar no mato abrindo caminho entre os gafanhotos, imaginar onde dormem os miquinhos urbanos, ainda ter uma enorme chave para o portão do jardim, deixar crescer ervas daninhas entre as pedras do terraço, não dispensar a trepadeira capuchinha no jardim…”

 

Poética: Ana Cristina Cesar – trailer de livros.

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“MANCHA

Tenho 16 anos

Sou viúva

De família azul

De cabelos esvoaçantes

(e nada rebeldes)

Sou genial sob todos os pontos de vista,

Inclusive de perfil

a poesia é uma mentira, mora.

Pelo menos me tira da verdade relativa

E ativa a circulação consanguínea

A Pedra filosofal é um tanto ou quanto besta

Plutarcoplatãopauto

Plutãoturcotãopauto

Platocotãopuloplau

desisto; tenho 16 anos

e perdi-me agora rabiscando-te.”

Setembro/68

Ana Cristina César um marco, minha poetisa favorita, um debute sobre as palavras. ela, natural e nua, e eu posso através dela me esbaldar e sambar com letras bêbadas de poesia. sim, uma inspiração, e eu quero escrever como ela um dia, e ainda assim, sei que não conseguirei, obrigado Cristina, por nunca alcança-la.

Caligrafias: Natália Barros – trailer de livros

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” Lepidóptera”

Sirvo para nada alguns dias, mas , mesmo

nesses dias , estou encarregada de salvar vidas.

Especializei-me em ouvir o chamado dos insetos,

preferencialmente de borboletas

Erráticas na janela, imaginam na vidraça

múltiplas possibilidades sem saídas

Asa mole em vidro duro, tanto bate até que morre.

Se não sou eu.

Senão sou eu, senão eu,

a iludida. ”

 

Natália Barros, força poética poente potável amável. Jardineira santista, e cantora composta compositora. Não sei mais se estou lendo uma poesia ou ouvindo um canto.

“Caligrafias” é  leitura com som de pássaro.

 

meus 5 livros favoritos de 2013.

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1- Bonsai: O autor entrega na primeira linha algo que deveria ser um amortecimento, mas que nos empurra em queda livre, já que o final é literalmente revelado no começo. Queremos então ir além, e a partir daí nos deparamos com uma fluência pop e ao mesmo tempo erudita, elaborada, sóbria. Zambra é assim.

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2- O sofá laranja: A história de Susan e Sam. Elá está, ele não. Ele está, ela não. Um livro que diferencia o que é poético do que é poesia, sem querer. Um livro dividido em cartas, lindas, com palavras que são tecidos gostosos de alisar, com declarações de amor que são um dar de mãos feito da saudade de dois corpos.

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3- Pequenas delicadezas: Um livro companheiro, do tipo que nos conforta em nossos dilemas solitários, daqueles que tocam em questões pesadas e jogam luz para quem por algum motivo não quer dividir seu problema com o mundo. “Pequenas Delicadezas” é idiossincrático, pró-ativo, e sensível a nós. Cheryl Streyed merece todo amor do mundo.

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4- É duro ser cabra na Etiópia: um livro que, depois de ultrapassado um possível preconceito, te oferece colheitas maravilhosas, causa dor de risos, tristezas de ser alegre, com textos frescos, de agora, de já.

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5- @m@r : Gastar amor agora, amor já, amor de verão, que seja, que a eternidade se deposite nos minutos, que faça sol rapidinho, pra dar tempo de amor.

Manual do MIMIMI

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O “Manual do MIMIMI”  é um livro de “sincericideos” femininos. Uma compilação de textos da blogueira mais descolada da revista TPM. Lia Bock – que escreve para o “Eu lia, tu lias” -escancara verdades em uma literatura ágil, descolada, anos 10. O conteúdo também é consideravelmente interessante, pop, urgente . Lia defende pensamentos fervilhantes em  seus curtos contos.

-Ressalta que certos perrengues cotidianos vivenciados por um casal são cruciais porque desenvolvem uma intimidade não forjada  através da necessidade de se trabalhar em dupla. Um pneu furado, o alagamento causado pela máquina de lavar, ou a conta que não foi paga por esquecimento.

- Acha que o termo “namorido” é um criação moderna conveniente e  em cima do muro, já que ele traz a liberdade de um não compromisso  e ao mesmo tempo a obrigação que a palavra marido acarreta.

- Considera que amar é algo que vai além de molduras poéticas  ou de um cotidiano imaginário enfeitado. Para Lia amar é suportar. Suportar um mau cheiro, um humor abaixo de zero em  dias cinzas, ou saber que as vezes vai ter mijo na tampa da privada. Amar não é só levar o café na cama.

- Desvenda o mito de ganhar flores. Diz que não é propriamente da flor que a mulher gosta. Pouco importa se são rosas ou girassóis que estão no buque. A verdade é que o ato de se ganhar flores geralmente é um artificio usado pelos homens para surpreender. O subtexto disso geralmente quer dizer : “olha a surpresa que eu te fiz” e  não “olha como essa rosa está bonita”. Mulheres gostam de surpresas, e não precisam ser flores.

- Revela que geralmente são das amigas as declarações mais românticas e poéticas que ela recebe. Declarações essas que geralmente costumam esperar dos pares românticos. Muitas vezes essa identificação em relação a expectativa gera diversas demonstrações de afeto que acontecem através desse compartilhamento de expectativas, é quase um consolo em forma de transferência. É  um jogo de agrados solidários.

Um  manual que “pensa alto” que escancara vontades em forma de verdades. Que supera a literatura “mulherzinha” uma vez que ecoa em desabafos poéticos as indignações de dentro sem falsas fragilidades.

Mais útil que a Revista Capricho.

Delas: a peça / @m@r: o livro

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Delas tem epitáfios e surpresas. Uma reunião artística envolvendo cantos lençóis, que nos percorrem lisos, e sem armadilhas. “Há cada milágrimas sai um milagre”.

Mulheres, olhos, perigos e vozes. Camafeus perfumados. Em mim sinapses, axônios, [A]tritos.

O que querem elas? Me perguntava eu, Delas.

Querem chuvas sorridentes e luas de apartamento que nunca acabam? Querem águas que nos mimam com barulhos calmos e carinhos úmidos?

Cada coração querendo fugir em barquinhos de papel em lagos seguros das bacias amarelas de casa. Ralos que engulam tristezas que não eram lembranças; eram dores prolongadas em pleno disfarce.

Corpos querendo nadar juntos em taças de vinhos e poemas tintos de amores que mancham a roupa. Manchas que não saem. Hoje pode.

“Não quero estar lindo, quero que você ache lindo eu estar perto.” Diz alguém sem culpas daquelas que tem gosto de suco azedo.

Regra: nunca mais sofrer por não ser responsável pelo seu sorriso.

@m@r tem Açúcar. Duas colheres, Delas. Adoçante não, adoçante finge, simula. Quero açúcar, o açúcar cafajeste que conta mentirosas verdades. Lábios molhados que dançam e se reconhecem. Devagar pra durar. Me abandone pra depois. Agora é invasão de saliva e propostas indecentes.

Não aos binóculos. Sim aos amores que não tenham o perfil, amores xixi na tampa. Nem músculos em dia, nem francês fluente, nem 5 mil mensais mais Sodexo com reembolso. X-tudo o que não precisa dizer. Querem corações desempregados, e olhares que esbarram sem querer, e ficam, insistem mesmo quando a felicidade quer fugir.

Gastar amor agora, amor já, amor de verão, que seja, que a eternidade se deposite nos minutos, que faça sol rapidinho, pra dar tempo de amor.

Amar, de quinta feira as 21h00 no Viga espaço cênico. Amar de terno amassado e perfume que já passou. Amar com Trident na boca pra fingir que seres humanos não almoçam.

Amar a peça e o livro Dela,  @m@r Helga Bevilacqua. A mais linda “poeta de bicicleta”.

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