Cantata para um bastidor de utopias

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“Cantata para um bastidor de utopias” me cativou de um tamanho-edifício. Começo geralmente meus textos falando da expectativa, e nesse caso ela era nenhuma. nenhuma de não ouvir falar, de não ler, de não ir preparado pra gostar ou desgostar. era convite de amiga querida, ganhei de presente, fui, ponto.

Que delícia! Foi amor a primeira cantiga. A Cia do tijolo me tirou inúmeros sorrisos fáceis com seu capricho no lirismo descomedido, suas provocações cantantes com um jeito do que não faz mal. Olham em nossos olhos, se/nos emocionam, oferecem o peito pra se/nos libertarem. Nos deitam em uma serenata poética cheia de pólvora politica e algodão doce. Levam sanfona, piano e violão com belicosa alegria, possuem cores ingênuas e palavras saborosas que despejam corações e condimentos nas senhoras e senhores.

E se, no meio dessa festa, público e elenco sentassem numa mesma mesa e discutissem entre taças de vinho sobre os vinagres juninos de agora pouco? Falamos de ditadura, de hino nacional, ouvimos depoimentos emocionados de gente foda  convidada e tinham frutas frescas pra comer. Frederico Garcia Lorca nos assistia, ígneo e satisfeito, eu sei.

Eu, um eterno viciado em primeiras vezes, eu que tenho ouvidos dóceis, eu que não durmo pelo céu, esperei tanto por esse dia, por uma peça que eu nem sabia que amaria, que me abalaria de um jeito sísmico, que deixaria meus dilemas mais mansos e o espirito mais polido, politico, poético. quero de novo e depois de novo.

Perdi meu paradeiro e depois achei algo melhor, muito melhor, estou em justaposição. Uma peça não, uma gentileza celeste.