O favor flutuante

Preciso de algo urgente, é o tipo de favor com data, e até por isso deixo a pessoa a vontade pra dizer não. A pessoa diz que pode, que tudo bem, ou às vezes nem isso, não diz, ou diz “tá” e você num tem certeza se ela aceitou, e pior: fica sem graça de perguntar novamente.

E então você espera, a pessoa não te da mais satisfação sobre o favor e você fica sem graça de cobrar. Pior, a pessoa nunca mais dá notícias sobre o favor e você tem que se virar nos trinta porque a demora prejudicou o seu problema mais ainda.

Então, um belo dia, você pergunta, e a pessoa da uma justificativa qualquer, aquela que não importa o por quê. Tudo o que importava era o “não” inicial, o “não” que não atrapalha ninguém, o não de “não posso” aquele que é difícil de dizer pra quem é querido, mas que é a melhor coisa que você pode fazer por quem depende de um favor com data.

O tipo de demanda que precisava do favor e não da promessa. Nos últimos meses me prejudiquei por diversos episódios assim, de gente que prometeu por prometer, ou porque não soube como dizer não ( eu entendo essa parte, oh se entendo) e que me prejudicou mais por ter dito sim. O sim que é sagrado, o sim que não flutua. Precisar do outro, tão bom quanto difícil.

O ato de pedir demanda toda uma arte, mas dizer sim também é, e isso precisa de comprometimento, não do favor displicente.

Mais amor POR FAVOR.