Hoje é segunda-feira, dia de efeito Gregório.

gregoriio

Toda segunda observo um fenômeno interessante no meu feice. O efeito Gregório. De tardinha, vejo 5 ou 6 compartilhamentos de sua coluna da Folha de inicio de semana. Confesso que mais interessante do que qualquer sacadinha dele, é o impacto que os seus textos superestimados (eu acho) causam na minha timeline. É o “chupa” abre-alas da semana, é a simbólica bateção de panela silenciosa da esquerda festiva.

Seus textos são usados como verdades de esfregar na cara, é como se ele aliviasse o vão de insegurança de um núcleo ideológico altamente vigiado por todos os lados, a esquerda que vira e mexe é botada em cheque pela contradição, a esquerda que não pode nem sonhar com a Flórida ou em usar em público o seu iphone (é que pega mal). Gregório Duvivier é como um dublê político da classe média progressista. Ousa por saber que tem palmas garantidas, e defende um enquadramento confortável, o do privilegiado que aceita negociar: não abra mão de tudo o que é seu, mas aceite discutir a inclusão do outro no seu frigobar. Como ele mesmo disse uma vez: ele não quer deixar de ser rico, ele quer que todos sejam ricos.

Mais engraçado ainda são os apelidamentos dados ao coral de canto gregoriano, dando um tom teen ao sentido difuso dessa reunião ideológica. Esquerda uber, esquerda ciclovia, esquerda Hypness, esquerda gourmet, esquerderia. Fico então imaginando alguma intervenção na Feira Plana do ano que vem. Um duelo de esgrima com espadas vermelhas que acendem com luz natural, em cima de uma slackline. Eu, obvio, estarei lá reforçando alguma estatística hostil da direita Constantina, vendendo zines – quase baratos – com fotos de Gregorio chupando paletas cubanas. Na crise, o negócio é ser politizado e fofo, mas a preço justo.

Inicialmente, isso pode parecer uma crítica ao Gregório, mas é um pouco além disso. Aos leitores mais apressados, isso não é um ataque de um vira-casaca. Posso estar aqui tentando ridicularizar algo que também é comum a mim. No fundo sou eu me olhando de fora. Faço isso que vocês fazem. Repito a sequencia, compartilho e consumo Gregório, Willys, Brum, Sakamoto e Laerte. Ah, e eu também dei voto crítico no PT no segundo turno, sem ser petista. Mas a questão é pensar que essa reunião em torno de um fio condutor não deixa de ser curiosa e até mesmo engraçada.

O fato é que todos nós, diante de um espelho, somos capazes das caretas mais ridículas, e nesse post faço esse exercício parcial de distanciamento apenas usando Gregório como um mártir. Ando com preguiça de me explicar em posts mais polêmicos, mas aos ofendidos, não é um post sobre o Gregório, mas sobre caretas engraçadas pro espelho. É como se eu me olhasse tirando caca de nariz sozinho no elevador, só que horas depois, no vídeo da câmera de segurança. Olhar de fora a sua própria imagem interagindo com o espelho, tentem isso, pode ser mais divertido (e ridículo) do que parece. “Put some farofa”.