os 50 melhores filmes de 2014

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Oba, a listinha que eu mais gosto de fazer, os 50 melhores filmes do ano, na minha humilde opinião. Lembrando que eu me arrependo dessas listas 5 minutos depois pq eu acho que o cinema é altamente mutável dentro de nós. Meus critérios são extremamente subjetivos, levam e não levam em conta aspectos técnicos. O importante é como um filme encosta em mim, que estragos e melhorias ele me faz e quem eu sou depois dele.


1- Her – jamais vou me esquecer do arrepio que eu senti naquela (não) imagem inicial, junto do som instrumental do Arcade Fire encostando na espinha. De repente, a tela é tomada pelo rosto de Joaquin Phoenix, deslumbrante, morando em um olhar solitário, cheio de cicatrizes, a espera de algo ou alguém. Her é arte da maior profundeza. Até hoje eu deixo o bigode crescer só para me parecer – um pouco mais -com o Teodore, mesmo sabendo que a gente já se parece por outras coisas, tantas coisas, que antecedem o bigode. Her partiu e colou meu coração várias vezes, e é por isso, que ele já estava eleito desde a primeira vez que o assisti, e já foram muitas, e serão muitas.

2- Ninfomaníaca 2 – porque a nudez de Charlotte vem sempre antes da própria nudez.

3- Garota exemplar – ser enganado pode dar um baita prazer.

4- Nós somos as melhores (Indie festival) – elas são mesmo.

5- Ninfomaníaca 1 – aquele olhar estático de Stacy Martin, e a analogia com o leopardo. Lars Von Trair é sempre gênio.

6- A gangue (Mostra)– o pancadão dessa Mostra. Ainda dói de tão genial e pesado.

7- Relatos Selvagens – Arrebatador! Sangue nos olhos e de fundo, uma orquestra regendo descontroles que terminam em vermelho.

8- O lobo do Wall Street – a melhor atuação do Léo. Apenas.

9- Sob a pele – Exótico, perigoso, Scarlático. Expulsa uma platéia Cinemark com classe e louvor.

10- Boyhood – esse filme ainda está passando em mim, feito o tempo.

11- A ilha dos milharais (Mostra)– simples, pequeno, silencioso e tão grandioso.

12- Nebraska – subestimei, mas abri os olhos a tempo: filme comovente.

13- Alabama Monroe – o balanço da existência em ritmo bluegrass.

14- Juntos e misturados – como se fosse a segunda vez Emoticon heart [podem me julgar].

15- Um pombo pousou sob a luz refletida no galho (Mostra)– um prato que eu nunca havia comido e que eu quero repetir sempre. Cinema gourmet sueco.

16- Praia do futuro – seco, elétrico, intenso. Berlim mora em mim, Wagner Moura também.

17- Livre (Mostra)– “Na natureza selvagem” versão calcinha. Eu amo Cheryl Strayed e a Thais Soncini.

18- O segredo das águas (Mostra)– vermelho de tão azul.

19- Abutre – Jake Gyllenhaal como você nunca viu! Filme que chegou quietinho e foi a grande surpresa do ano.

20- Tudo acontece em Nova York – filme hipster de apertar a bochecha. O Francis Há desse ano.

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Aquela Água Toda

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“Aí ela disse que o mundo era como o alfabeto, feito de vogais e consoantes. As vogais eram sons que nasciam quando o ar saía livremente pela boca. As consoantes não: os lábios, os dentes, a língua e o palato criam obstáculos à passagem do ar quando a gente as pronunciava. Eu era uma vogal e tentara passar livremente pelo portão, mas as meninas, consoantes, haviam me impedido. E se existissem apenas vogais, ou só consoantes, o mundo teria de ser escrito de outra maneira; o bonito era que podíamos fazer inúmeras combinações.”

meu último livro do ano, veio leve e tenro. “Aquela água toda” do Carrascoza derrete na boca, e estranhamente parece nos preparar para o passado. tudo o que já foi, vem de novo, sem peso, em forma de maré, pra gente ficar de bem e flutuar depois.

11 contos e um mesmo amor, que cresce daqui.

Mommy

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Je vois la vie en rose bonbon.

Meninos-monstros dentro de poemas. O amor que abandona por amor (?). Anjos – rebeldes – dos – loiros – cabelos -problemáticos. Talvez você precise de um extintor. On fire.

A ressurreição da rebeldia Macauleyculkiana. Adoro ela. Atores Macauleyculkianos, quando tomados por seus personagens, são perigosamente hipnóticos. Personagens que mostram o dedo do meio pra plateia, que rasgam seus papéis, nos oferecem arte em estilhaços e nos chicoteiam com seus estiletes e sobressaltos. Rostos harmônicos que guardam rifles no olhar. Macauley não morreu, posso escutar até hoje aquele sonoro: “fique com o troco seu animal”. Kevin, de santo, não tinha nada.

Em termos de Xavier Dolan, Mommy é claramente um filme mais contido visualmente, mais maduro em sua evolução, e menos tamborilado em seus trejeitos. Parece feito para selar uma espécie de trégua entre ele e os críticos. Os papeís de parede não estão mais tão visíveis, a fotografia inventiva dessa vez esta mais fria e ao mesmo tempo defumada, mas não menos decorativa e cheia de perspectivas interessantes em termos de direção de arte.

Posso vê-lo ganhando prêmios importantes no futuro. É um artista prodígio, sabe usar a tintura fotográfica e o experimento a seu favor. Veste seus filmes com suspensórios, um pouco de carão e cabelos exagerados. Trilhas sonoras pra gente levantar pra dançar charmosinho. Um cinema que cheira a cigarro, faz bico e sorri sarcástico. Roteiros que usam saltos altos e pontiagudos e nos ferem enquanto adereços. O sexo sempre nos subtextos, no artifício da véspera: nós é que despimos os personagens.

Ah Dolan, às vezes estamos tão perto, que eu até me assusto. Você parece me dirigir enquanto eu olho atento o seu cinema. Nele eu existo, como em nenhum outro.

O teu, que é tão meu.

 

As 10 melhores peças de 2014

teatro

 

Chegou um momento que eu adoro a cada fim de ano. LISTAS. a primeira é sobre as peças de teatro que eu mais gostei em 2014. Levando em conta que estão no meu ranking peças que vi pela primeira vez esse ano, independente do ano de lançamento, e deixando claro aqui que infelizmente perdi “Amigos ouvintes” e “e se elas fossem pra Moscou”, peças muito bem referenciadas pela crítica. eis aqui minhas dez jóias teatrais em um ano fraquíssimo em termos de boas opções.

1- Cais ou indiferença das embarcações – Velha Cia: impecável, uma serenata vinda do mar-lampião

2- Não nem nada – Empório Sortido – Calderoni foi longe demais, e foi brilhante em sua ousadia. Uma peça indie tão, mas tão divertida, de irônica

3- Gotas d’agua sobre pedras escaldantes – Empório Sortido – Gilda Nomacce divando, Rafael Gomes tão maduro na direção, e a trilha e o cenário e a cena da dança e…

4- A pior banda do mundo – Amanda Lyra! Gravem esse nome!

5- A última palavra é sempre a primeira – Vertigem – e o meu sonho de atuar no Vertigem cresceu mais e mais depois dessa peça, ou seria um desfile?

6- Vermelho amargo – esse texto é tão imaculado e delicioso, que eu fui vê-los no Sesc só pra conferir se não iam estragar a prosa poética desse mineiro que tanto me inspira na escrita. E num é que mandaram bem?

7- Não fornicarás – Satyros – juro que não foi pelo sexo ao vivo. Os Satyros vão
muito além da nudez. Eles nos ensinam a enxergar no escuro.

8- Genet – o poeta ladrão – sensual, marginal e altamente canastrona.

9- 02 ficções – Hiato – A peça que eu menos gostei da Hiato até hoje, prefiro o Léo Moreira sem muito hermetismo. Sabe quando você não tem coragem de não gostar de uma companhia que você tanto gosta e chama inclusive de predileta? Então, to até meio que me sentindo mal aqui.

10- Não amarás – Satyros – inventividade me ganha, e os Satyros me entendem tanto nesse aspecto. Eles nunca me entediam com suas surpresas.

Jogos Vorazes – A esperança parte 1

jogos

Vivo repetindo uma frase que geralmente uso na minha vida social. “só eu posso falar mal dos meus amigos, mais ninguém”. Quer dizer que se em algum momento isso acontece, eu tomo cuidado com o tom, o contexto, o conteúdo e principalmente com quem é o ouvinte. Mas quer dizer principalmente que só eu sei exatamente o amor que sinto por eles a ponto de levantar qualquer testemunho negativo sem que isso seja uma espécie de traição. Isso talvez seja válido para um filme de um diretor que amo, mas não gostei tanto quanto os seus anteriores ou uma franquia que sou fã, em que o filme atual me pareceu inferior aos outros. É como se eu gostasse tanto daquilo, que mesmo exercendo qualquer tipo de critica negativa, isso jamais signifique menos carinho. É um modo saudável de olhar um objeto de afeto sem mentir pra ele, nem pra mim.


“A esperança – parte 1” não me decepcionou, nem de longe, mas ao olhá-lo isoladamente, senti falta de um pouco de ação, momentos impactantes e picos emocionais. Talvez isso incomode um pouco aos que não são muito resilientes, como eu. É um filme mais ideológico do que propriamente físico. É uma revolução que aos nossos olhos é mais estática – sem de fato ser estática. Serve como uma preparação-preliminar-catapulta necessária para que sejamos introduzidos ao grande final. É um filme essencial ao olharmos a quadrilogia como um todo, mas comparado à “em chamas” – que foi cheio de momentos altruístas, companheirismo e que explorou os jogos e os feitos heroicos de cada um dos personagens-, ficou devendo.

Na treta toda dessa terceira parte, os holofotes voltam-se para Katniss, e mais do que nos outros filmes, J.Law faz a diferença. Minha paixão pela personagem se multiplicou. Ficou nítido que ela, enquanto objeto midiático e totem ideológico de uma revolução, ainda continua defendendo os seus valores sem se corromper pelo próprio poder de influencia – que a essa altura tornou-se um produto ao qual ela já não tem mais tanto controle. É como uma partidária que apesar de possuir uma representação política, tem a coragem de ir inclusive contra o próprio partido se o mesmo romper contra algum princípio seu. É então que “a Capital” passa a explorar o seu ponto fraco: Peeta. A relação dos dois envolve complexidades interessantes e sugere algo latente, mas ainda irrevelado ou confuso. E pra falar a verdade, eu gosto que seja assim, sem muita explicação.

Estamos [quem não leu] a um ano de saber como tudo termina. Saberemos se Katniss está acordando ou entrando em um grande pesadelo e por mais que tudo isso seja sobre algo muito maior, é por ela que estarei torcendo.