Hélio Leites: pessoa colecionável #12

Meu encontro com Hélio Leites

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A pessoa colecionável número 12 é especial, é uma honraria, um sonho realizado. Esse jovem senhor chamado Hélio Leites me encantou com este vídeo, há dois anos, e a única coisa que eu sabia é que ele morava em Curitiba onde dava vida aos seus pequenos inventos poéticos em seu ateliê.

Tinha apenas uma informação: disseram-me que ele possuía uma barraca pimposa na Feira do Largo da Ordem aos domingos, ali perto das cercanias da Praça Tiradentes. E lá fui eu com meu cavalo de pano mais rápido do mundo em busca do grande dia de folia em busca do tetéio senhor encantado. Era dia chuvoso, pingos caiam do céu, mas nada atrapalhava , eu logo o vi com seus cabelos brancos, seu topete prolongado, seu casaco com peças teatrais penduradas, e seu carisma que mais parecia um conjunto de tentáculos animados, gentis, bilus, atraentes.

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Hoje eu quero voltar sozinho

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quando toca Belle & Sebastian, os olhares trocam elogios e se ofertam. as vontades se beijam e nenhum caminho é inimigo. não saber dançar nem é problema, e o All-Star fora do ritmo é assunto pra rir depois.
e o amor? vem de dentro ou vem de fora? onde está? como pega? somos hospedeiros ou parabólicos? é cura, enfermo ou caramelo?

quando toca Cícero, tudo o que há de diferente se estampa em permissões: nuvens ametistas, corações caqui, abraços borgonha. permitem-se os silêncios confortáveis: aqueles que não constrangem, de quando a intimidade vence a timidez, de quando a voz não precisa marcar espaço entre duas bochechas de rubor flagrante. e o amor? é a primeira vista, ao primeiro cheiro, ao primeiro sabor, ao primeiro toque, ao primeiro acidente, ou ao primeiro verso?

quando toca Arvo Part, o universo abraça, e decido que não sou mais neblina de maio, sou também a sintonia de um dedilhar que aguarda a tarde triste se despedir, entre folhas cadentes. é outono, estação das lágrimas produtivas e de frio com sol.
e o amor é feito do que? de surpresas com velas-luzes? declarações no caderno durante a aula de história do Brasil? de alianças escondidas nos sucrilhos? ou lembranças com beijos de quermesse?

quando toca David Bowie, a vontade fica atrevida, declaro-me separatista e evoco extraterrestres, venço o jogo com royal street flash e encaro o espaço feito um rebelde de Saturno. peço absinto, sobrevivo a um desastre em escala Richter. sou o último segundo de uma respiração limite imersa por azul-lejos de uma piscina.
e o amor? ofende a quem? aos inquilinos frustrados, aos corações doentes, as almas vencidas, aos românticos que não vingaram, aos que acatam verdades sem saber de onde?

no Google se você colocar “amor é”, as frases com continuações sugeridas são: amor é fogo, amor é pra sentir não pra entender, amor é uma ilusão não vivo disso. se você levar em conta a sequencia das frases, pode concluir que até o Google é leviano. ele se joga ao incêndio, e só na terceira frase o pessimismo vem.

Daniel Ribeiro dirige espalhando baunilha e canções sorridentes, e cada aurora que um dia sofreu, agradece.

Hoje eu quero voltar sozinho: um filme cremoso.