02 Ficções – Cia Hiato

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” Não se diz que vai morrer. Não há nada de extraordinário em morrer, nada que me torne diferente, nada que eu preciso contar, por isso eu faço uma peça. uma peça que conte que eu vou morrer, sem que eu precise dizer. Quem sabe se alguém me escutar, mesmo que não responda, eu possa me salvar.”
diz o programa da peça

“eu comecei com ficção e descobri o real, mas por trás do real está novamente a ficção.”

Jean-Luc Godard

“02 Ficções” vai garganta a fora, desamarrar todos os laços rígidos da realidade prevista. uma crônica de morte anunciada, um ensaio sobre o ensaio, a previsão do tempo nos enganando, manchete fria. Tem rasura, e o que há por trás das manchas de tinta azul? e se descobríssemos que rasuras são roupas remendadas que escondem parte do coração que se precipitou?

Os atores inteiros, e aquele cenário vupt com cotonetes vitais, e Leonardo Moreira oni-ausente. E a peça é isso: a farsa da ausência, uma homenagem póstuma em desverdade, uma cochia que deixou de timidez.

Sair do esboço, repetições, vocês reparam que a vida repete cenas, mas muda os cenários? não é rascunho, é a vida em si, um falso ensaio.

A Cia Hiato comete adultério, vai além-lua; se suas outras obras possuíam a lucidez da água e um bolero que distribui gaivotas, essa é o mistério de um vinho suave e de fundo uma ópera de desnudas mulheres ou um devaneio de Bowie – astronauta.

até agora não sei eu se foi real ou (terceira) ficção.