Alabama Monroe

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tudo começa em mel, pactos entre as nuvens, e beijos que prolongam estações.

ela, loira, alva, com um olhar com guitarras empolgações, que suspira novidades e mistérios solares, que se insinua em tatuagens, sem medo da altura, uma encantatriz.

ele, ateu, cabelo escorrido, com tamanho porto seguro, atitude de astro cantor líder da banda, cheio de liberdade perante a lua.

o filme empolga porque pincela o criativo no que é simples, porque transforma em canção cada sentir, e o gosto disso é de chocolate e licor, a química que é alquimia.

uma sinfonia country, revelando o rosto rebelde do amor e suas negativas. Já prepare o seu bombeador vermelho: ele vai vai se expandir, vai abrigar poesia e sonetos, mas depois vai se partir, e os cacos narrativos vão se colar, um a um, feito motivo de tatuagem.

a cena do pássaro que morre é das metáforas de guardar pra dias longes, e rememorar feito a página mais intensa de um livro perfumado de setembro, ou a melodia de um bluegrass astral pro alto.

Alabama Monroe não nos pede muita coisa, é atento e belo em tudo o que fotografa, balança a existência feito um lençol branco que acompanha o vento insistente, mostra nossas lordoses entre os banjos mais alegres. É a dor portando asas.

doravante.

 

 

 

 

Álbum de família

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Todo ano a mesma pergunta: o que essa mulher vai aprontar?

Majestade, Meryl Streep dessa vez possui duas personalidades capilares, hora usa peruca, hora tem cabelo ralos e grisalhos; faz uma senhora drogada de remédios, que dança jazz chapada e que guarda em si toda crueldade  regada por suas escolhas e tragédias pessoais.

Julia Roberts está diferente dentro da sua regularidade de interpretação, varia na aparência, está contida, intensa e amarga. Parece ter se despido da vaidade, o cabelo branco não mais se esconde dentro,  já não apela em nenhum momento para o seu sorriso irresistível, sua personagem é o contrário disso, é um porão pessimista, um luto existencial.

Temos as outras interpretações, que dentro do show particular feito pela dupla, acabam se secundarizando, são apenas as outras. O cerne da obra está justamente no duro embate de ofensas entre mãe e filha. Em uma situação pós luto, momento em que poeiras passadas levantam os tapetes mais pesados, poeiras que emergem por exemplo em uma refeição familiar. Somos levados ao constrangimento, culpas se aliviam nas flechas verbais, e é inevitável não pensar na evolução de Carnage, peça (que virou filme) em que os monstros de cada personagem vão sendo expostos gradativamente em um contexto aparentemente banal.

Nada é mais divisório e revelador do que a porta de casa para dentro ou para fora, essa geralmente é a nossa grande fronteira de vida. Em uma estrutura quase em forma de novela vamos sendo introduzidos aos segredos  e ao passado obscuro de cada um, e vemos a tal ideia de família em retalhos, mostrando o quanto tal definição pode significar apenas mais um agrupamento sem sentido, um consolo pra solidão com razões sanguíneas e nada mais.

Existe ali entre todos os personagens uma distância e um sol com a peneira, e poucas coisas na vida me parecem mais frias, doloridas e  dificilmente reversíveis quanto as dissonâncias e fingimentos familiares. Se prepare para um banho de interpretações empolgantes, verdades incomodas e pra curar tudo isso já separe um “bom” chá de boldo.

 

Paulistano, que tal um clube itinerante de colecionadores de V8? Em São Paulo tem!

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Um grupo de amigos que colecionam carros com motor V8, saudosos, nostálgicos, e cheios de old photos imaginárias. Usam tal paixão para se encontrarem, um pretexto para manter a amizade.

Você pode encontrá-los em situações festivas de SP como por exemplo a feira anual da Vila Pompéia. Os carros ficam estacionados, lado a lado, fazendo aquarela -quase uma exposição retrô-  e os donos interagem, se exibem e bebem aquela breja gelada.

Na fanpage do Facebook você pode conferir fotos, vídeos e utopias desses Camarolovers.

 

Caligrafias: Natália Barros – trailer de livros

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” Lepidóptera”

Sirvo para nada alguns dias, mas , mesmo

nesses dias , estou encarregada de salvar vidas.

Especializei-me em ouvir o chamado dos insetos,

preferencialmente de borboletas

Erráticas na janela, imaginam na vidraça

múltiplas possibilidades sem saídas

Asa mole em vidro duro, tanto bate até que morre.

Se não sou eu.

Senão sou eu, senão eu,

a iludida. ”

 

Natália Barros, força poética poente potável amável. Jardineira santista, e cantora composta compositora. Não sei mais se estou lendo uma poesia ou ouvindo um canto.

“Caligrafias” é  leitura com som de pássaro.

 

O trailer dos 10 filmes [ainda não lançados no Brasil] que farão barulho no Oscar 2014

12 anos e escravidão

Baseado na extraordinária história verídica da luta de um homem pela sobrevivência e liberdade. Na pré-Guerra Civil dos Estados Unidos, Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um homem negro livre de Nova Iorque, é raptado e vendido como escravo. Enfrentando a crueldade (personificada por um malévolo dono de escravos, interpretado por Michael Fassbender) mas também momentos de inesperada bondade, Solomon luta não só para se manter vivo, mas para preservar a sua dignidade. Após 12 anos de uma odisseia inesquecível, Solomon conhece um abolicionista do Canadá (Brad Pitt) que vai mudar para sempre a sua vida.

Depois de Shame, Steve Mc Queen faz um filme sobre uma temática que a Academia adora e é o grande favorito, e no Oscar ser favorito no início da corrida é desvantagem.

Trapaça

Irving Rosenfeld (Christian Bale) é um grande trapaceiro, que trabalha junto da sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams). Os dois são forçados a colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper), infiltrando o perigoso e sedutor mundo da máfia. Ao mesmo tempo, o trio se envolve na política do país, através do candidato Carmine Polito (Jeremy Renner). Os planos parecem dar certo, até a esposa de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), aparecer e mudar as regras do jogo.

“O lado bom da vida” lançou J.Law ao hall das atrizes luxuosas e polêmicas de Hollywood, será que esse ano tem prêmio-tombo again?Amy Adams é sim a “encantada”: além de competente, faz ótimas escolhas, repare nos últimos anos quantos filmes com ela foram indicados. Junto com Gravidade é o grande rival de “12 anos” para vencer melhor filme.

Ela

Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor solitário, que acaba de comprar um novo sistema operacional para seu computador. Para a sua surpresa, ele acaba se apaixonando pela voz deste programa informático, dando início a uma relação amorosa entre ambos. Esta história de amor incomum explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia.

Confesso que só pelo trailer já sei que vou gamar nesse filme, e tem Joaquim Phoenix cada vez mais louco e melhor.

Philomena

Philomena é uma história verdadeira sobre a procura de uma mãe por seu filho perdido.
Grávida na adolescência em 1952, na Irlanda, Philomena Lee foi enviada ao Convento de Roscrea para ser cuidada, tida como uma mulher em desgraça. Quando seu bebê tinha apenas dias de vida, foi levado pelas freiras para ser adotado por americanos. Philomena passou os cinquenta anos seguintes procurando por ele em vão.
Ela então conhece Martin Sixsmith, jornalista politico que fica intrigado com sua história. Juntos, partem para os Estados Unidos em uma jornada que não só revela a extraordinária estória do filho de Philomena, mas também cria um inesperado laço entre eles.
O filme tem uma interessante narrativa sobre o amor humano e a perda, além de celebrar a vida. É ao mesmo tempo engraçado e triste e diz respeito a duas pessoas muito diferentes, em diferentes fases das suas vidas, que se ajudam e mostram que há espaço para o riso, mesmo nos tempos mais sombrios.

Judi Dench a atriz que só não é rainha porque no mundo existe Meryl Streep.

Nebraska

Woody Grant (Bruce Dern) é um homem idoso que acredita ter ganho US$ 1 milhão após receber pelo correio uma propaganda. Decidido a retirar o prêmio, ele resolve ir a pé até a distante cidade de Lincoln, em Nebraska. Percebendo que a teimosia do pai o fará viajar de qualquer jeito, seu filho David (Will Forte) resolve levá-lo de carro. Só que no caminho Woody sofre um acidente e bate com a cabeça, precisando descansar. David decide mudar um pouco os planos, passando o fim de semana na casa de um de seus tios antes de partir para Lincoln. Só que Woody conta a todos sobre a possibilidade de se tornar um milionário, despertando a cobiça não só da família como também de parte dos habitantes da cidade.

Filme que chegou forte dos festivais mas que deve ser figurante nas premiações.

Clube de compras Dallas

Em 1986, o eletricista texano Ron Woodroof (Matthew McConaughey) é diagnosticado com AIDS e logo começa uma batalha contra a indústria farmacêutica. Procurando tratamentos alternativos, ele passa a contrabandear drogas ilegais do México.

McConaughey sempre foi bom ou eu que nunca reparei direito? Tenho visto coisas excelentes feitas por ele. Me parece a cota “Milk” desse ano.

O Lobo do Wall Street

O filme é adaptação do livro de memórias de Jordan Belfort, que no Brasil ganhou o nome de “O Lobo de Wall Street”. Belfort foi um corretor de títulos da bolsa norte-americana que entrou em decadência nos anos 90. Sua história envolve o uso de drogas e crimes do colarinho branco.

Chegou a hora de DiCaprio, algo me diz, o Globo de Ouro por exemplo.

Inside Llewyn Davis – balada de um homem comum

O longa acompanha uma semana na vida de um jovem cantor folk, ambientada no bairro de Greenwich Village, Nova York, em 1961.

Llewyn Davis (Oscar Isaac) está numa encruzilhada. Com seu violão em punho, acuado pelo imperdoável inverno novaiorquino, ele luta para viver como músico, apesar de enfrentar obstáculos quase intransponíveis — muito por sua própria culpa. Vivendo à mercê de amigos e estranhos, assustado com os trabalhos que encontra, as desventuras de Davis o levam de bares no Village a um clube vazio em Chicago, enfrentando uma odisseia para ter uma audição com um influente empresário musical — e depois voltar.

Filme que abriu a Mostra internacional de SP esse ano, mega bem falado mas que também deve ficar longe das cabeças.

 

Até o fim

Um navegador experiente (Robert Redford) está viajando pelo Oceano Pacífico, quando uma colisão com um contâiner leva à destruição parcial do veleiro. Ele consegue remendar o casco, mas terá a difícil tarefa de resistir às tormentas e aos tubarões para sobreviver, além de contar apenas com mapas e com as correntes marítimas para chegar ao seu destino.

Filmes com aventuras marinhas estão voltando a moda, e eu confesso adorar.Na corrida por prêmios secundários, não deve levar nada.

Walt nos bastidores de Mary

urante quatorze anos, Walt Disney tentou adquirir os direitos de Mary Poppins da escritora australiana P.L. Travers. Quando o acordo foi finalmente fechado e o filme foi terminado, a autora mostrou-se muito descontente com o o resultado final, especialmente no que diz respeito às cenas em animação.

Tom Hanks parece ser tendência neste ano, a fênix de 2014.

 

 

 

A Grande beleza

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No vão dos meus rabiscos a procuro também, subo no coreto e olho em volta sem achar, e nem sei se existe, se ela está. A Grande beleza me atraiu desde seu início, o tédio fazendo mais eco do que o próprio som propagado em uma noite de festa e Piui-abacaxi romano. Gente alegre, danças, pílulas, astral Silvio Santos, drinks, solidão, e o vazio bailando ao nada. Um passeio existencial com os trejeitos galãs de Tori Servillo; deus, que ator!

Sorrentino namora os ângulos, seu olhar chega em lindas partes, em cores flautas, em cantos em que fotografia é um assobio elegante, gosto tanto de olhar pros seus ondes. Chego a estar ali, como quem quer invadir um quadro, sou um megalo-espectador que olha feito osmose, que se sente parte.

Gosto de quando o amarelo combina com o que eu não imaginava, e de pulos de cães alegres. Gosto de tombos de criança, do quanto eles são naturais e desprotegidos. Gosto de poltronas histéricas, das que balançam e fazem barulho de coluna quebrando. Vejo beleza em pares idosos, na sincronia de seus passos, no quanto um é capaz de esperar o tempo do passo do outro, e fico a pensar nessa raridade, que o amor as vezes vinga em seu feliz pra sempre. Gosto de folhas com verdes ensolarados andando sozinhas em cima de formigas, em plena força poética. Sou fascinado também pela farsa do olhar, quando descubro nele a mentira por trás do que foi dito, o olhar que entrega, o momento do flagrante.

A doce vida em meados dos anos 10, o nada, a falta da euforia, confesso ter medo desse tal, de ter que inventar afetos, de fingir poemas, se acaso um dia a água do meu mundo secar. Em A grande beleza me inventei pelo kitsh, vi ursos em escritórios, vi ironia no poder sem altura da anã, vi urubus exuberantes em plena serenata noturna, eram quase sombras aladas enamoradas por carnes decompostas, vi a freira debilitada, subindo sua pobreza no pacto com a escada, cena devidamente guardada na memória das prediletas do cinema.

O vazio do medo ou o medo do vazio. Quem não?

 

Ninfomaníaca – volume um.

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Não me demorei, fui de primeiro dia, impactos espontâneos, Cultura ex Bombril, sala um, primeira fileira, olhares extra- virgens, virar pros lados não é surpresa, é pulsão, histeria, azeite, reações vizinhas nunca foram tão consideráveis às 19 horas.  Perguntava-me quem eram aqueles na sala, quem são? Vi Charlotte caída, em desmonte profundo, sem pecado, mas sem perdão, e um rock alemão denso, diabólico, feridas, estacas apontadas, antes o silêncio, a neve, os becos, a estratégia pela sinestesia, começou o pornozinho.

Solenidade, uma rede de confissões, a ninfomaníaca já está em seu leito, protegida de si, assim parece. E a culpa de onde vem? Profundezas alcançadas, peixes, metáforas, um ouvinte erudito que faz costura com linhas de pesca e saberes copulares, um espiral entre as cadeias narrativas em pleno caramelo, ironia acho, o som de Bach se porta como moldura, como ritmo, créu, e há uma matemática hermética para explicar, não feita para Eduardos.

Sexo, sexo explícito, pra lá, pra cá, um pornocult de sexta, noitão, você já viu aquele filme? Do nu frontal, Rolling Stones, choques elegantes, explicações que nos capturam, engenho e originalidade, a imagem se reveza, se inova, (não)se explica, o gozo no trem, gozo sádico, o primeiro sinal de culpa, coito nos trilhos, manchete atroz, boca recheada. Um vinho encorpado de noites me toma e circula na taça, tinto-me em cores uvas.

Poesia, no canto dos estofados, e o café nem desabafa mais fumaças, há intimidade que se desenvolve em sonetos capitulares. Uma Thurman entra em repartes e sai bem: humor decadente, haja Viagra, a família que é o cativeiro, livre-se e volte, jogue o planeta pro alto, me assuma pra que eu te jogue na lata de longa-vidas recicláveis.

Sobram fungos, incontinentes, que não servem e se deitam a cama sem mais motivos, gritam artérias. Uma, duas, três, sete por dia, confetes de chocolate, ou nada, nem odisseias. Lars, o expulso, non grato, (per) corre por nós, fagulhas, estamos festivais, foi mais e melhor, vírgula, venha volume 2.