Os 44 filmes que eu favoritei em 2013

Por que 44 e não 45?

Porque essa lista foi feita a partir do seguinte critério: filmes que mereceriam entrar em uma lista de fim de ano independente de quantos deles caberiam nela. Os filmes contidos nessa lista, são os que eu assisti esse ano no cinema. Alguns não foram lançados, e talvez nem sejam, e outros estrearam no fim do ano passado, mas só vi no início desse, como no caso de “Argo”. Um dado importante, eu não assisti “Tabu”, nem “Amor” nem “Depois de maio” , filmes bastante citados pelos críticos.

Ps: meu critério não é apenas técnico; se tratam dos longas que eu mais gostei. e isso não necessariamente tem a ver com um filme ser bom. Vivo dizendo que existem filmes ruins que a gente adora, e filmes bons que odiamos.

Feliz 2014!

44- Vida: um documentário quase fabril, que fala sobre a imigração, do afeto, das raízes, levem os lenços.

43- As Sessões: Helen Hunt brilha, está melhor, mais experiente, e sua personagem é quase um atestado dessa maturidade, do seu empréstimo a arte de ser atriz. Um filme delicado, com uma mensagem tocante e sem o apelo aos sentimentalismos.

42- Argo: é um filme que literalmente transforma o cinema em super-herói. Genial, não?Um filme que eu NÃO ESPERAVA.

41- Marina Abramovic, the artist is present:  um doc. que não quer patentear verdades, que não tem aquele sermão documental, que consegue ser uma investigação permeável sobre uma mulher artista cheia de simplicidade, sem caprichos de celebridade, sem “toalhas brancas” no camarim.

40 – Arranha Céus flutuantes (Festival indie 2013): um filme que expurga vontades, que é generoso com os poros, que deixa a pele nova, que deixa o falo em maus lençóis.

39– O verão no Skylab: Delpy nos entrega um filme que sopra saudade, que respira afeto, e que ainda por cima consegue ser inteligente e plumante. Um longa de tios e primos, de parentes e papagaios, que são pouco lembrados pelo cinema.

38- Capitão Phillips: o velho Tom Hanks está de volta: sua interpretação é inundada de reações precisas. Primeiro a paciência, depois a diplomacia, o altruísmo, a esperança e por fim o desespero. Cada um desses estágios completamente bem desenhado entre rugas e olhares, e é inevitável já ir fazendo apostas levianas, vale estatueta?

37- O Som ao Redor – Em um bairro de aparente sossego em Pernambuco, o som passa a se portar como elemento-chave para interferir nas ações cotidianas dos personagens. Seria Irandhir Santos o nosso novo Wagner Moura?

36- A montanha Matterhorn (Mostra 2013): mostra a relação que se estabelece entre dois homens sozinhos. A chegada de um deles na vida do outro desconstrói uma rotina rígida, perfeccionista, alheia a mudanças. Isso acontece de um jeito cativante, natural, mágico, genuíno.

35- Antes da meia-noite:  o casal que aprendemos a amar há 20 anos atrás está de volta em mais uma viagem de dar agúa no olhar, e a gente tem vontade de entrar nos diálogos entre Jesse e Celeste e frequentar aquelas paisagens. Uma trilogia que consegue transformar a famosa DR em algo delicioso de se assistir.

34- Questão de tempo: viver primeiras vezes pela segunda vez. Esse filme faz isso de um jeito singular, cativante, distribuído. há uma colheita, o significado de família, a mensagem clichê sobre aproveitar a vida dita com lágrimas e dar um abraço de gratidão em alguém.

33- Blue Jasmine: Alien sempre blefa em voz alta. O jazz do disco voador toca-toca. Tem chantili e acontecimentos em vinil. Idas e vindas. Passado, presente, jóias, neurose, lua em gêmeos, roteiro-horóscopo. O delírio mais Maneco de Alien.

32- Vai Eddy (Mostra 2013): Cinéfilos e ciclolovers, faltava um filme assim: bicicleta e inocência. Freddy é um menino que sonha em ser ciclista e possui uma bike suspensa no teto de seu quarto, onde diariamente ele “pedala no ar”. Um longa simples, leve, que traz a infância em versos- pedais e ruivos cabelos de menino sonhador.

31-O Grande Gatsby:  filme poser, hiperativo, e carnavalesco na medida da simpatia, dos festejos, do deslumbre  .Sim, “é possível voltar ao passado”. Arte: meio de transporte. Fui levado.

30- Bling Ring: Coppolinha reafirma cada vez mais um estilo autoral e amadurece a sua própria especialidade/obsessão fílmica: o tédio na fase juvenil. Sua câmera é vigilante, estrategicamente burocrática, distante em emoção, é amiga da simetria do real-banal.

29- O voo: é um filme que traz o seu clímax logo de início, e se sustenta por um conjunto de argumentos, por seu suspense,  e principalmente por mais um show de um Denzel Washington competente e alcoólatra.

28- Azul é a cor mais quente: cinema real, sincero, royal, faminto de amor, que morde mas não assopra, inspira. Amores que começam e terminam nos tais medos. O medo polar inicial que é frio na barriga, o medo final que é a solidão feita em cinzas se insinuando, azuladas.

27- A primeira vez de Eva (Mostra 2013): atributos tidos como virtuosos para o mundo do politicamente correto e subvertidos ao polo do excesso. Um longa que mostra o lado não tão bom de querer sempre ser bom.

26- Um estranho no lago: o universo desse filme parece uma grande metáfora, um aparente abrigo pra tranquilidade e pro hedonismo que depois se transforma em um limbo paradisíaco. O vermelho do sangue e o azul do lago trazem a tona um suspense erótico como eu nunca vi.

25 – Dentro da casa: um longa que cria um romance a partir de uma ideia artística. Sobre experienciar a arte do seu jeito mais profundo, tocando-a no nosso real. É uma aventura inconsequente pelo desejo distante que só o cinema é capaz de revelar.

24 – A Caça: aflição, muita aflição. O argumento desse filme é poderoso e perigoso, ele mostra como se cria uma armadilha e o quanto ela pode nos aprisionar por uma vida toda, e nessa hora ser ou não inocente é só um detalhe: porque existem vezes em que a mentira já contaminou a possível verdade redentora.

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22- Tatuagem: um filme inteligentemente brasileiro, cheio de folclore, ternura e esmalte borrado. Que traz o natural das descobertas em meio a arames farpados, que quebra regras, que traz um piscante- pedaço-barulhento de Recife. É ferozmente leviano. Um biotônico do desbunde, hora político, hora poético, hora os dois.É filme de ser livre.

21- Gravidade: Um longa que consegue falar de tão longe e consegue ser tão familiar, ser perto. Que faz de útero o universo, a deriva, e nós ali, perdidos, fetais.O cinema blockbuster volta a nos olhar no olho. Estamos de bem com o 3D

20- Ferrugem e osso: é um filme com nó na garganta, que chora em seu dentro, que é seco em seu molhado, que faz frio em seu verão.

19- Em chamas: odem me vaiar, estou preparado. Filmes regressivos, que de tão preenchidos duram pouco, parecem estar acabando desde que começaram. “Em chamas”  me empolgou, me fez descansar dos filmes artísticos e me trouxe disparos cardíacos, me pipocou como só um bom blockbuster faz.  Em 2013 já é o meu eleito na prateleira “adaptações de livros de aventura para Hollywood que nos exploram em trilogias que viram quadrilogias”.

18- Elena:  morte e vida dialogando na beleza do lamento de um piano que beija-flor e ausência em belos solos de não esquecer. Lindo assim.

17- O lobo atrás da porta (Mostra 2013): um filme chocante, dissimulado, gradativo, estratégico, acima da média, bem acima, a melhor atuação de Leandra Leal.

16- Django Livre: Tarantino é o ladrão que rouba ladrão e faz (in)justiça com as próprias CÂMERAS, é cinema condimentado, sempre pelando mas sempre MAL- PASSADO

15- Anna Karenina: a direção de arte mais catártica que já vi, é um filme que nos enfeita, que da uma aula de senso estético sem que isso prejudique sua essência. Não é cinema de assistir é cinema de TESTEMUNHAR.

14- Álbum de família: um longa arrebatador, que desconstrói todas as certezas familiares, e coloca em Meryl Streep doses de crueldade, genialidade e loucura, só pra que a gente saiba que ainda sabemos pouco sobre o que essa mulher é capaz. E Julia Roberts? Entregue a idade, com a raiz bicolor, com a feição cansada. Um longa degradante, um “Carnage” familiar que não nos poupa em nenhum minuto.

13- O Futuro:  Miranda é pra mim um amor à segunda vista pelo seu jeito incomum de comunicar a universalidade dos sentimentos transformando sua criação em um lugar inesperado que nos leva a reflexão.

12- O garoto que come alpiste (Mostra 2013): Um show de horrores tão banal, tão real e criativamente bizarro, tão secretamente humano. Não vi sangue, nem morte, vi o nada, não tinha trilha, tinha só o som ambiente – estamos sem capa de chuva. O diretor quer nos expulsar, e nós temos que resistir, reagir.

11- Indomável sonhadora:  um filme que não vulgariza a lágrima, um recanto poético com versos antropofágicos, é descomplicador, cintilante, uma aventura folclórica que faz com que o essencial fique VISÍVEL aos olhos.

10- O lado bom da vida:  é cheio de filhos rebeldes pedindo socorro, é um rock and roll lotado de lirismo, uma poesia espinhosa, é o lado negro do cisne, é um encontro dos desencontrados. Não é só um filme, é um grito de desespero cheio de ALÍVIO.

9- Blanca Nieves:  superou a ideia de “o artista”, fotografia perfeita, um colosso visual, metáfora bem explorada, filme de agradecer.

8- Obsessão- The Paperboy: um pesadelo, belo e soturno, sujo e atraente, malicioso e traumático. Que fala do espaço inexplorado e o esconderijo sur-real de cada um. Primitivo e vanguardista a nível pólvora. Tenha fé, filme dos bons.

7- Pelo Malo (Mostra 2013):  um filme sutil e brutal. Pesa, embrulha,comove, cria novos entendimentos sobre as feridas da infância; tem dores e perfumes. Um menino em desajuste, rejeitado sem saber porque, vitima da indiferença da mãe, das ilusões do sistema, das exigências cruéis do mundo opressor. A Venezuela atual em contraste com um dilema familiar.

6- Wrong: é uma ovelha negra vinda dos louros festivalescos de Sundance, que nos permite delírios mansos, um pacote contendo uma resignificação dos nossos horrores de sempre.

5-Tom na fazenda (Mostra 2013): Temos de nos acostumar: Dolan usa o artificio do quase, quase sempre. Costuma mexer diretamente com nosso voyeurismo, com o lado excitante irrealizável. Amores platônicos, paixões sádicas, virtuais; o impossível que quase deixa de ser. Dolan é um meteoro, é o namoradinho do cinema. É uma bala de raspão vinda do Canadá criativo.

4-A espuma dos dias: Era lugar comum, para os adeptos ao “Amelismo” -como eu- esperarmos um “Amelie Poulain a paisana” e foi diferente disso: era o sol derretendo, a lua indo ao chão, era poesia dando em árvores, eram minhas expectativas em pleno desmanche-paçoca.

3- O Mestre:  P.T.A tem um cinema elegante, com uma cruzada de pernas simétrica, já é uma grife. Seus longas, na verdade parecem constituidos por subfilmes, com cenas que por si só são partículas elementares feitas com precisão e perfeccionismo. Sua fotografia e seu jeito de dirigir miram holofotes aos atores [o que é Joaquim Phoenix?], nos seduz, e é sem volta.

2- Miss Violence (Mostra 2013):  Não queiram saber do que se trata “Miss Violence“. Como um amigo disse: quanto menos você souber desse filme , melhor. O que não tem nome as vezes faz com que nosso estomago sinta menos. E foi melhor assim. O que eu senti não tem nome, e eu nem quero que tenha. Confesso que eu repetiria varias vezes a sensação que eu tive na primeira vez que eu o vi, mas seria improvável repetir a experiência do filme uma segunda vez.

1-Frances Ha: Um longa tão e tão colorido em seu preto e branco pretensioso e vanguardeador. Que se monta em camadas simultâneas, que coloca com competência veterana algumas micro-situações dentro de situações maiores. Em Frances Ha descobrimos que vestir o mundo tem sido coisa apertada, por vezes não cabemos dentro do que é grande, por outras entramos com folga no que há de pequeno.

As 15 peças de teatro mais fantásticas que vi em 2013.

15- Festa no covil: a narco-literatura mexicana desenvolvida em um contexto cênico chamativo, bem incorporado se tratando de um monólogo, que nos projeta a uma  inocência inusitada, solitária, sincera e ao mesmo tempo áspera.

14- Eleutheria: “liberdade” em grego, “turma 63″ em português. Absurda, dionisíaca, elétrica, multifocal, nova, claustro-asfixiante, freak, tentadora, necessária, amOral, EADética.

13- Jacinta: Acompanhar a persistência de Jacinta faz com que a vida doa menos, queremos aplaudi-la pela sua falta de temor em relação ao ridículo, por sua relação com os recomeços, queremos salva-la da crueldade do mundo

12- O Duelo: os autores russos ganham novas paletas, se amarelam em bolhas verdes. Camila Pitanga e elenco dão um show de precisão, trazem a magia do simples, mergulham em embates que ventam arte e profundidade ao som de um mar trabalhador.

11- O desaparecimento do elefante: globais descolados mostrando toda a loucura de Murakami. publicitária, dinâmica, criativa, o surrealismo nos deixando em suspensão. Atuações inesperadas e a arte de rir do absurdo.

10-  Isso te interessa? Cia brasileira: Pude escapar da realidade e estar com eles, ali, num palco infestado pelo arranjo dos nossos nadas existenciais. Fiquei repleto de teatro, de energia vira-lata, de poesia transparente e colorida. Fui roubado de mim por 45 minutos preciosos, e cresci, cresci muito.

9- A dama da água: texturas visuais ousadas que partem de provocações anti-naturalistas em busca de uma certidão do real. Uma peça que através de cores e luzes movimenta nossa percepção sobre as letras de Susan Sontag. Trabalhos corporais impecáveis.

8- Nossa cidade – Antunes Filho: O texto é uma maquete comportamental de um lugar. Que pega o micro-cotidiano norte -americano e sopra personagens caricatos e ao mesmo tempo naturais em seus contextos sonhadores. Fala da compulsão que vira convulsão. Da melancolia que existe no tédio do tempo vazio. Da emulação a ambição.

7-  O Natimorto – um musical silencioso: O texto de Mutarelli já é por si só um primor, porque desvenda de um jeito obsessivo nossas camadas existenciais mais escondidas: cigarros, epifanias, cigarros, epifanias, cigarros. O texto brinca com os atores. Os atores brincam conosco.

6- A última história – Grupo 59:  mais uma certidão coletiva de um admirável trabalho em equipe: atuam em rede, numa ciranda notável que gira por almas voluntárias, disponíveis e tomadas de teatro-tesão. Uma fabriquinha de generosidades cênicas: alguns muito generosos, e outros tantos um pouco mais do que muito generosos. Parecem nos dar de presente a todo tempo.

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5- Em cômodos – Cia mamífera: Um surrealismo de vanguarda, que chega em lugares nossos possíveis, a contralógica das coisas colocada em poemas montáveis. Lapsos cheios de pequenices grandiosas.

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4- A Alma imoral; É uma peça que traz a todo tempo um “desconforto confortável” porque nos deixa expostos, nós- público- somos desnudados, porque trata-se de uma catarse coletiva com quebras de verdades suspeitas; nos libertamos de um jejum existencial. O famoso e sagrado conceito de alma é desnudado ali, sem o menor pudor, é um dicionario envolvente com outra versão dela- de perfume novo. Ali se estabelece uma fábrica de epifanias.

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3-  Bom Retiro 958 metros – Teatro de Vertigem: A sensação é de um novo batismo cultural. Não sabemos se estamos sendo levados ou apenas nos acompanhando. É  como um sonho consciente. É puro assombro  a capacidade que esse grupo tem de transgredir e elevar o nosso olhar a novos andares de deslumbramento. O Bom Retiro ganha vida e dialoga conosco em um tour artístico surpreendente.

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2-Ficção: Cia Hiato–  a Hiato é pra mim o teatro de hoje, eles inovam, e trazem propostas que nos tiram de lugares confortáveis sem muita firula. Nos abraçam, e nos empurram para o essencial das coisas. Dentre todas as geniais [não] realidades de cada ator, Thiago Amoral corta todos os circuitos seguros da tradição cênica e nos banha de emoção dolorida e tátil.

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1-Cantata para um bastidor de utopias: Que delícia! Foi amor a primeira cantiga. A Cia do tijolo me tirou inúmeros sorrisos fáceis com seu capricho no lirismo descomedido, suas provocações cantantes com um jeito do que não faz mal. Olham em nossos olhos, se/nos emocionam, oferecem o peito pra se/nos libertarem. Nos deitam em uma serenata poética cheia de pólvora politica e algodão doce.

 

* Torçam pra que cada uma dessas peças voltem, valem muito a pena, mudam um dia, um humor, uma vida. Lembrando que só estão na lista espetaculos que  eu vi pela primeira vez em 2013.Por isso a ausência de “Aldeotas” e “Música pra cortar os pulsos”. Não, eu ainda não assisti “Cais ou da indiferença das embarcações”.

 

 

meus 5 livros favoritos de 2013.

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1- Bonsai: O autor entrega na primeira linha algo que deveria ser um amortecimento, mas que nos empurra em queda livre, já que o final é literalmente revelado no começo. Queremos então ir além, e a partir daí nos deparamos com uma fluência pop e ao mesmo tempo erudita, elaborada, sóbria. Zambra é assim.

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2- O sofá laranja: A história de Susan e Sam. Elá está, ele não. Ele está, ela não. Um livro que diferencia o que é poético do que é poesia, sem querer. Um livro dividido em cartas, lindas, com palavras que são tecidos gostosos de alisar, com declarações de amor que são um dar de mãos feito da saudade de dois corpos.

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3- Pequenas delicadezas: Um livro companheiro, do tipo que nos conforta em nossos dilemas solitários, daqueles que tocam em questões pesadas e jogam luz para quem por algum motivo não quer dividir seu problema com o mundo. “Pequenas Delicadezas” é idiossincrático, pró-ativo, e sensível a nós. Cheryl Streyed merece todo amor do mundo.

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4- É duro ser cabra na Etiópia: um livro que, depois de ultrapassado um possível preconceito, te oferece colheitas maravilhosas, causa dor de risos, tristezas de ser alegre, com textos frescos, de agora, de já.

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5- @m@r : Gastar amor agora, amor já, amor de verão, que seja, que a eternidade se deposite nos minutos, que faça sol rapidinho, pra dar tempo de amor.

3 single-bells com mensagens divertidas de natal.

Três clipes natalinos espirituosos para este natal. O Favoritei é adepto ao folclore das coisas, acredite no que quiser, não se prenda a discursos que você não tem como checar a validade prática.

Lembre-se:

Ganhar presente é gostoso, sim.

Perdoe alguém, mesmo que hoje seja o típico “dia-pretexto”.

Uva-Passa é uma ofensa a humanidade.

Natal lembra os nossos avós, se você ainda os tem, aproveite.

Coma rabanada com as mãos, lambuze os dedos de açúcar e canela.

Luzes de natal são nostálgicas e nos aquecem.

Você é quem escolhe o seu significado pro Natal, seja ele -em essência- um legado bíblico, ou apenas o ritual de montar uma árvore ou o dia em que sua família está junta.

Lulina – é natal

Pato Fu – Boas festas

Merry Christmas from Tel Aviv

Feliz Noite!

 

 

Paulistano, que tal algumas casas que vendem exclusivamente bolos caseiros? Em São Paulo tem!

A onda paulistana em 2014 no quesito “comidinhas” foi a das casas que vendem exclusivamente bolos caseiros. Bolos que lembram avós, chácaras, infancias. Bolos de milho, de fuba cremoso, bolo formigueiro.  Bolos que você só pode levar se forem inteiros.

Bolo que a mãe fala que vai dar dor de barriga se comer quente e a gente come mesmo assim.

No Bonfiglioli tem o “Bolo caseiro da vovó” : o de limão com massa de iogurte é macio, desmancha, azeda com doçura, não perca. Rua comendador Alberto Bonfiglioli, 513 Jardim Bonfiglioli – SP – Fone : 3731 – 6557

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Na Vila Mariana tem a “ casa de bolos”, Av. 11 de Junho, 760 – Vila Clementino – São Paulo/SP -Fone: (11) 5083-5998 / dizem que por lá o bolo de fubá não é só um bolo, é uma ocasião pra juntar gente querida com café e ele, o bolo, macio e fofo.

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Em Pinheiros tem um casarão rosa que inaugurou a febre toda: oferece  16 sabores de bolos feitos com receitas geracionais familiares. O de milho por exemplo é feito com o ingrediente raspado direto da espiga. Fica na Rua Padre Carvalho, 103 Pinheiros- SP- Fone 2857-4857

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Manual do MIMIMI

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O “Manual do MIMIMI”  é um livro de “sincericideos” femininos. Uma compilação de textos da blogueira mais descolada da revista TPM. Lia Bock – que escreve para o “Eu lia, tu lias” -escancara verdades em uma literatura ágil, descolada, anos 10. O conteúdo também é consideravelmente interessante, pop, urgente . Lia defende pensamentos fervilhantes em  seus curtos contos.

-Ressalta que certos perrengues cotidianos vivenciados por um casal são cruciais porque desenvolvem uma intimidade não forjada  através da necessidade de se trabalhar em dupla. Um pneu furado, o alagamento causado pela máquina de lavar, ou a conta que não foi paga por esquecimento.

– Acha que o termo “namorido” é um criação moderna conveniente e  em cima do muro, já que ele traz a liberdade de um não compromisso  e ao mesmo tempo a obrigação que a palavra marido acarreta.

– Considera que amar é algo que vai além de molduras poéticas  ou de um cotidiano imaginário enfeitado. Para Lia amar é suportar. Suportar um mau cheiro, um humor abaixo de zero em  dias cinzas, ou saber que as vezes vai ter mijo na tampa da privada. Amar não é só levar o café na cama.

– Desvenda o mito de ganhar flores. Diz que não é propriamente da flor que a mulher gosta. Pouco importa se são rosas ou girassóis que estão no buque. A verdade é que o ato de se ganhar flores geralmente é um artificio usado pelos homens para surpreender. O subtexto disso geralmente quer dizer : “olha a surpresa que eu te fiz” e  não “olha como essa rosa está bonita”. Mulheres gostam de surpresas, e não precisam ser flores.

– Revela que geralmente são das amigas as declarações mais românticas e poéticas que ela recebe. Declarações essas que geralmente costumam esperar dos pares românticos. Muitas vezes essa identificação em relação a expectativa gera diversas demonstrações de afeto que acontecem através desse compartilhamento de expectativas, é quase um consolo em forma de transferência. É  um jogo de agrados solidários.

Um  manual que “pensa alto” que escancara vontades em forma de verdades. Que supera a literatura “mulherzinha” uma vez que ecoa em desabafos poéticos as indignações de dentro sem falsas fragilidades.

Mais útil que a Revista Capricho.

Azul é a cor mais quente

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Os embalos [não] de agora. Um olhar maduro sobre a juventude. Não há rebeldia. A não-didática pros artifícios de dentro. Penso que um filme ganhador de Cannes necessite de um dote instigante, potente, que comunique algo que nos inova. Esse tipo de eleito precisa sempre enfrentar uma crítica blasé, com frustrados, vanguardistas, acadêmicos e entendidos; um caminho intelectual no mínimo burocrático.


Não é a toa: são três horas completamente bem utilizadas, que mostram exatamente o que vai importar, sem delongas pretensiosas, mesmo quando tudo acontece em meio ao nada. É um filme que se deita com naturalidade sobre nós, sobre um retrato cotidiano e vai perfurando intimidades recém-descobertas, guaches que se misturam, vontades levianas e hedonistas.

Adele, menina pré-18, com um descabelo charmoso, um olhar molenga com direções misteriosas. Possui um choro fácil, de expulsar dores, de renovações azuis e instantâneas. Adele possui o dom do spaghetti a bolonhesa, uma herança de família, um tesouro geracional. O prazer sem fim na sugada do fio, que esbugalha olhos famintos, com o sabor do tomate e da carne.

Emma, loira azulada, experiente, que sabe anunciar um choro alheio antes dele chegar, capaz de ensinar o lado fetichista de se tragar uma ostra, como um drinque desconfortável. Consegue ser a própria iguaria de celestes cabelos. Que não perdoa tropeços adúlteros.

“Azul é a cor mais quente” possui uma poética contornada pelo clichê dos supostos amores terminados. Se mostra como um itinerário fatídico que passa pelos lugares comuns das relações: medo – estresse – novidade- explosão – paixão – repetição – desinteresse – rejeição – medo – medo da solidão.

O perigos e os precipícios do olhar, gente que se joga pra dentro, que se auto-abandona para transgredir, que devora a vida, que come de boca aberta. Cinema real, sincero, royal, faminto de amor, que morde mas não assopra, inspira. Amores que começam e terminam nos tais medos. O medo polar inicial que é frio na barriga, o medo final que é a solidão feita em cinzas se insinuando, azuladas.

Priscilla: pessoa colecionável #10

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“The dog days are over, the cat days are coming.” Priscilla é uma primeira dama plebeia, é uma faca afiada de verdades, é a mulher da Catuaba, é um manequim em que tudo veste bem, sua canção de ser exala elétrons, vivos, e carne – com sangue, carne mal passada. Acho ela visceral, exótica, mexicana, perigosa, quase uma das apoteóticas mulheres dos filmes Bs de Robert Rodriguez. Eu não conseguiria limitar Priscilla ao tipo “musa de um diretor só”. É daquelas que está em disputa, por vários diretores, é uma leoa que devora quantos leões quiser, leoa não, mulher gato, a mulher gato paulistana em uma entrevista bombástica, com sabor, com malagueta, com brilhantes vermelhos e batom ardido. Não pode ser ao acaso, que bem hoje – “sexta feira 13″ – dia de maltrato a gatos, esteja acontecendo essa antologia poética sobre uma heroína dos felinos.

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Meu terapeuta diz que influenciamos diretamente na forma do outro olhar para algo. Somos capazes de corrigir deformações sentimentais, somos placas de publicidade capazes de inverter desafetos. Quero dizer com tudo isso, que muitas vezes já passei a gostar de alguém ou de algo,  porque algum amigo meu falava incansavelmente bem do objeto relatado. Dei o braço a torcer. Priscilla me fez prestar mais atenção nos gatos. Quando pequenos nos colocam chips que nos injetam a rejeição aos pequenos felinos. É só prestar atenção na letra de “Atirei o pau no gato”. Gatinhos são tidos como antagonistas dos cães, como metidos e frios. Essa entrevista é uma quebra de paradigmas em relação ao mundo miaiu. Resolvi então não apenas entrevistar a Priscilla mas os seus gatos também, fui conhecê-los pessoalmente, observá-los e principalmente ser observado. E não pode ser por acaso, que hoje “sexta feira 13″ – dia de comum maltrato a gatos – eu esteja dando os retoques finais dessa antologia poética sobre uma heroína dos felinos.

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Essa é a nega. Priscilla define assim:  “a nega sou eu”. a  nega é arredia, fresca, ciumenta e de não me toques. É uma passarela em cores noturnas, a nega é gata leonina, é o próprio espelho.

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Priscilla é Kitsh. É dada as excentricidades estratégicas e aos descombinados propositais. O que no outro pode soar brega, em Priscilla é a coragem de ser, é um resgate de um pop de antes, que de maneira subversiva traz orgasmos estéticos, é um mulherão que veste Melissa. Priscilla é quando a caligrafia ultrapassa as linhas de um papel amasso. Ela passa o farol vermelho. Pinguins de geladeira, estampas exageradas, anões de jardim, quadros de palhaço, amor estampado, Almodóvar. Pedro já chamou Priscilla às pressas para um filme, mas ela recusou porque estava muito ocupada no hotel para gatos onde trabalha.

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Esse é o Brancão. Ele escolheu o Wa (marido de Priscilla) como dono. É vesgo de olhos azuis, carismático, alegre, bobão, conquista fácil, se mistura, apanha dos outros gatos e não reclama.

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Para Priscilla o amor é como um gato vira-lata. Acha que cães não são conquistáveis, já chegam lambendo ao mundo. O gato precisa ser convencido. Há um rito de sedução para se ter acesso a ele. Matemática afetiva: são 5 gatos, um marido e a própria vida. 5+1=1 = Priscilla tem 7 vidas, 7 amores, Priscilla se ama pra caralho, é o seu amor número 1, está inclusa, é leonina.

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Essa é a Safira. Ela é um enigma:  misteriosa, mora praticamente na casa do vizinho, não se mistura com os outros gatos, não entra em casa, dorme no quintal, tem alma boemia, nunca tem hora pra voltar.

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Se pudesse inventar algo um dia, Priscilla criaria um lava rápido para humanos, acha gostoso o processo de limpeza dos carros. Gostaria de se infiltrar no meio daquelas esponjonas gigantes giratórias e se perder com sua sandália Melissa nos embalos dos jatos de água com sabão ao som de Billy Idol – dancing with myself – a música da sua vida.

Esse é o Mingau, foi a Priscilla que fez o seu parto. Era o ultimo de sua leva, e nasceu de bunda. É romântico, sentimental, falante, descolado. Ele foi escolhido por causa de sua barbicha.

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Priscila não gosta de receber gente em casa.  Casa é pra onde a gente foge quando não ta afim de olhar pra cara de gente.  Se essa gente entra em casa, pra onde fugir de gente? Priscila aceita convidar gente pra jantar com a condição do mesmo ter hora para acabar, moderno assim. É daquelas que quando a visita passa da cota e diz que está indo embora, não pede pra  “ficar mais um pouco” por educação.

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Priscila ja sentiu inveja de tatuagens alheias. Lembra de uma que tinha um balão com um gato dentro sendo segurado por um segundo gato. Priscila já mentiu que viu Grease nos tempos da brilhantina e nunca provou tomate seco porque acha seu aspecto feio. Priscila é “alcoolatra” por maquiagens mas tem o habito de não inaugurá-las por dó.

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Priscilla tem uma sinceridade que dispensa palavras, possui um jeito de repelir o que não lhe agrada que é mais forte do que ela, é um movimento involuntário, quase um peixe beta em fúria colorida. Priscilla é de sentir  ódio a primeira vista. Não tem paciência de ir a shows  musicais nem com gente que despeja problemas nos outros.  Não gosta de coisas subentendidas, prefere o explicito.  É declarado o seu ódio por beringela, Chico Buarque, Janis joplin e pelo Kurt Cobain; mas ela ama colocar azeitonas em tudo.

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Os prazeres Amelie de Priscila são: pisar em folhas secas, ficar sozinha em casa ouvindo Jonny Cash com seus gatos,  abrir um shampoo novo,  rasgar cartelas de eletrônicos zero bala, receber encomendas do “Submarino” pelo correio, ver que chegou. O TOC de Priscilla é repetir caminhos, acha que se fizer diferente, algo ruim vai lhe acontecer.

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Esse é o Tigrão. Priscila define Tigrão em uma frase: “ O Tigrão é o meu dono, ele me escolheu”.  Tigrão é o mais carente da turma, e o mundo faz mais sentido quando ele deita no peito de Priscila. Tigrão tem alma enfermeira, ele cuida, deposita afeto, olha no olho de um jeito profundo, olha na alma, nos atravessa, chega a assustar. Quando Priscila está de cama, ele também fica, e só levanta quando ela levanta.

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Priscilla só aceitaria pousar nua um dia se o cenario do ensaio fosse nas locações de Kill Bill. Com o dinheiro compraria um ap na Rua dos Pinheiros,  um mini cooper pra passear com o Wa e abriria um abrigo para gatos dentro de um sítio, para caberem todos eles.untitl477jed

Esse é o Wa, o último dos gatos de Priscila. Prisicila diz que ele a ensinou a gostar de Tarantino. Segundo Pri, a coisa mais especial no marido é o poder que ele tem de “des-negativar” a vida. “ O Wa nunca deixa o mundo acabar”. Acho Wagner um Silvio Santos da vida real:  uma pessoa populista, que gosta de falar, de conquistar a massa e ao mesmo tempo ser empreendedor, de jogar aviãozinho pra platéia, e ter um tom de piada no jeito de comunicar que traz familiaridade, que aproxima.

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Priscilla diz que o presente que mais gostou de ganhar na vida foi essa entrevista. Fico me achando.Peço uma frase sem ser da Clarice e ela me diz uma muito boa: “Eu não gosto de frases prontas”. Priscilla não lembra do nome do seu livro predileto: ele é de la de trás, na infância, é sobre uma gata cega que narrava a vida de seus donos. Tinha sentidos aguçados.

 

 

 

Priscila quer um dia ir ao México participar de uma festa do dia dos mortos, no dia de “finados” deles. É uma festa que mistura caveiras com doces temáticos. As caveiras representam a morte e o açúcar a doçura. Priscilla adora tudo que tenha motivo de caveira e na parte do açúcar ela não resiste a torta de limão.

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10 foto-motivos para você ir a Nova York

Porque você deveria ir a Nova York, em 10 foto-motivos.

Você nunca volta para a Nova York de antes, Nova York é uma noiva em fuga, é sempre hoje, amanhã já é ex.SAM_3938d

Ser louco, andar pela St Marks Place, suas cores, seus delírios.

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invadir brechós malucos, cheios de badulaques e roupas de levar.

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Passar “uma noite no museu”.

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notar a solidão dos cavalos brancos dos carrosséis ou das charretes do Central Park.

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Voar com a Mary sem guarda-chuva, bagunçar pela Broadway.

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Colocar o pé no banco – tão Nova York.

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ter dó de pisar nas folhas, coloridas.

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ver o outro e se achar um “estranho normal”.

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admirar os outros admirando…

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passear por fazendas no asfalto.

Em chamas

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Filmes regressivos, que de tão preenchidos duram pouco, parecem estar acabando desde que começaram. “Em chamas”  me empolgou, me fez descansar dos filmes artísticos e me trouxe disparos cardíacos, me pipocou como só um bom blockbuster faz.  Em 2013 já é o meu eleito na prateleira “adaptações de livros de aventura para Hollywood que nos exploram em trilogias que viram quadrilogias”. Uma franquia que acaba de me aprisionar até o fim de seus dias.

Mentiras e verdades, massa de manobra, ditaduras e censuras, farsas midiáticas. É tão delicioso ir descobrindo as camadas e as terceiras intenções que atuam sobre a arena ficcional ao longo do filme que em certos momentos queremos intervir, invadir, alertar, abraçar, proteger os tributos do pior que antevemos.

Jennifer Lawrence possui um tipo muito particular em seu jeito atriz de fazer. Sua interpretação sempre parte de uma naturalidade rabugenta, seca, crua, suas feições nunca são fáceis, parecem inclusive se repetir de filme em filme. Suas minimas variações partem de um reflexo, da resposta ao ambiente. “J.Law” interpreta sempre replicando, sem inventar contornos, é rebelde, não possui inundações, nunca tenta mostrar.

Aliados vão até o meio ou até perto do final. O amor que vai virando verdade. Criatividade para fugir. Fugir não, sobreviver. Não há glória. Vencer é só sangue curricular. Aventuras em florestas, das mais delirantes. Medo com frio, frio com medo. Tributos de um altruísmo sem escolhas. Tragam a tequila, a revolução vai começar, e eu não vejo a hora.