Jacinta

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Jacinta me fez um bem danado, não por ser engraçada, mas porque carrega em si um mundo lotado de graça. Poucas vezes na vida tive vontade de me levantar da platéia e dar um abraço em um personagem.

Carisma! Muito carisma; é impossível não se encantar com a sua docilidade fresca de fruta verde,  não se comover com a personagem ingênua e solitária que Beltrão constrói usando vestido e tênis.

Jacinta tem uma luz-vibração de amigo que a gente chama pra brincar em casa quando pequeno, é daquelas de chamar pra entrar. Jacinta é carente, pura e também é atriz das piores, é um fracasso de se por no colo.

Andréa Já-sinta beltrão se eleva em sua competência artística e nos desperta um carinho nobre por sua simplicidade cênica, por se entregar a personagem, e da até uma saudade de suas personagens de vinte-trinta dos anos 90/00, ou dos seus tempos de Radical Chic. Jacinta colore Andréa.

Jacinta – a peça- fala do teatro-itinerante, tem em seu cenário a aura fabril e mambembe em texturas lusas. Fala do dialogo do ator com a frustração, de artistas artesãos, possui um elenco sem vícios de musical- o que traz uma certa originalidade causada por essa falta de afetação.

Acompanhar a persistência de Jacinta faz com que a vida doa menos, queremos aplaudi-la pela sua falta de temor em relação ao ridículo, por sua relação com os recomeços, queremos salva-la da crueldade do mundo.

Jacinta, eu volto pra te buscar!

 

 

 

 

 

Bling Ring- A gangue de Hollywood

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Tempos de funk ostentação, da busca compulsiva pelo recalque alheio, de um “atim” virar noticia e contabilizar seguidores.  Tempos de poses repetidas e banais tentando elevar nossa autoimagem inventada pros nossos stalkers da vida. Tempos de cutucadas e curtidas representativas que nos tornam célebres por sintomas de segundos, tempos em que pulamos de cabeça  em nossas timelines sedentos por uma frase que mude nossas vidas por alguns segundos, até que outra frase de mudar vidas apareça e deixemos de pensar na anterior. Uma geração disposta a tudo para não desaparecer em meio ao alheio superficial.

Coppolinha reafirma cada vez mais um estilo autoral e amadurece a sua própria especialidade/obsessão fílmica: o tédio na fase juvenil. Sua câmera é vigilante, estrategicamente burocrática, distante em emoção, é amiga da simetria do real-banal. Sofia trabalha com uma certa imparcialidade temática, não toma partido, sua frieza possui pitadas de sadismo. Sofia é boa em achar ângulos exuberantes durante seus planos, como a cena do menino deitado de salto na cama, ou do roubo na mansão, em panorâmica, ou um close em  Emma Watson dançando para o céu, crescida, linda e brilhosa.

Gosto de achar que eu sei das neuroses de diretores que acompanho. Noto por exemplo nos filmes de Sofia um interesse a mais por nossos vácuos de existência, a diretora parece  uma avida leitora visual do silêncio; em sua obra são comuns silêncios rápidos que se demoram. Seus filmes possuem um fluxo temporal próprio, parecem terminar em movimento, não em ponto morto. Suas trilhas são baladas empolgantes que preenchem  vazios incômodos, as vezes suas musicas hiperativas são a própria continuação irônica do silencio.

Bling Ring mostra com rigor o anseio da nossa geração: o “ser ou não ser “ dando lugar ao cativeiro do  “pertencer ou não pertencer”. Um retrato atualizado das semi-celebridades de agora que sentem prazer e inclusive facilitam certas invasões de privacidade. Querem aparecer sofrendo, querem versatilidade em suas farsas reais de existência, cometem deslizes propositais, são frustradas com o próprio sucesso, são ególatras em plena overdose de si.

O longa nos oferta o lado real da irrealidade, uma inversão ótica curiosa, sofisticada e excêntrica sobre uma geração de memes e repetições que nos sequestram de nossa liberdade, e que em busca de identidade se aloja em um  grupo para se proteger e simultaneamente segregar. Uma geração megalomaníaca, sedenta por  drogas inventadas, que não foge mais de casa, mas foge de si em busca de in-certezas morais; viciada em pequenas sensaçõezinhas, precisando sempre de dopamina para ontem.

 

 

Álbum de família, um filme que junta Meryl Streep e Julia Roberts. Veja o trailer.

 

Sim, minhas duas atrizes prediletas estarão juntas em cena como mãe e filha: Meryl Streep que também é a atriz predileta de Julia Roberts se junta a Juliette Lewis, Abigail Breslin e Ewan McGregor para contar a história de uma mãe viciada em narcóticos que recebe a visita das filhas que chegam no intuito de ajuda-la, e esse encontro gera uma série de conflitos e revelações do passado. O filme é  baseado no livro “Osage Country”.

Estréia prevista para janeiro de 2014.

 

Paulistano: que tal um clube para amantes de Pinball em SP?

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Você não leu errado,  No Cambuci existe um clube fechado apenas para sócios que funciona as terças e sábados onde geeks ou apenas amantes da arte do Pinball se reúnem para jogatina. O Clube é aberto a visitação aos sábados mediante a taxa de R$30,00 para o uso das máquinas.

São mais de 80 máquinas e o acervo inclui jogos como: Close Encounters, Big Indian e Space Walk, Cavaleiro Negro, Fire Action, Sure Shot, Oba-Oba, Shock, Rally, Hawkman, Shark, Vortex, Drakor, Meteor, Mr Black, Space Shuttle, Lunelle, Cosmic, Medieval Madness, Attack from Mars, Cirqus Voltaire, Tales of Arabian Nights, Família Adams, Elvira, Junkyard, Theatre of Magic, e muitas outras.

O endereço físico não é divulgado, mas é possível agendar uma visita pelo site: http://www.pinballbrasil.org/content/view/109/53/

 

Show: Thiago Pethit cantando trilhas dos filmes de David Lynch.

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O palco parece um piano bar, com cortinas Blue-Velvet . Thiago entra com um sorriso anoitecido e largo dos seus. Está minguante, paira rebelde em sua elegância de anfitrião, faz piadas com um humor de camarim. Nos deseja uma noite surrealista com confiança exotérica, de quem sabe que vai cumprir a promessa da frase. Uma lua e nunca mais. As trilhas dos sonhos-filmes de David Lynch cantadas por Pethit, com rocks melódicos e música do Leblon. Thiago canta com voz penteada e tom de gala. Em sua postura há uma permissão para a impecabilidade, Thiago é trans-genial; estala os dedos pra si enquanto baila só, e isso parece um refluxo vindo de uma eclipse de dentro,  de quem sente o néctar, de quem cobra em Euros. Thiago não se sabe cantor, se sabe artista, e isso faz dele um poeta transgressor; quando canta parece se salvar do mundo, parece  protegido por luzes-tintas que correm e piscam em Le-Cheval por suas canções enquanto ele interpreta cinzas no palco. Thiago tem soltura de marionete e um fogoso bailado pélvico; tem em si a Dama e o Valete do baralho. Thiago vira um personagem, a música vira  filme, é sinestesia em forma de arte com gosto de anis. Nossos olhos já estão em lua cheia, o sonho se acaba, tudo que é bom dura pouco, dura UM SHOW.

Austrália: walkabout, coalas, cangurus, ondas e corais.

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A Austrália é um país que tem jeito de filho predileto, possui olhos azuis, faz uma curadoria saudável do mundo americanizado, porém em uma versão melhorada,  não (tão) compulsiva. Lugar de mexer em cangurus de todas as cores e sabores, e ver por baixo da água a natureza fazendo arte espontânea: que linda é a grande Barreira de Corais e seus peixinhos pintados!

Os australianos são feitos de loirisse e de saúde corporal; dispostos, pragmáticos e abertos. O exagero jovem geralmente acontece na noite, nos excessos, nos muitos estímulos. Se assemelham a nós na latitude e no jeito;  assim como aqui, são equatoriais, dispostos, alegres, e sensíveis ao outro. Posso dizer que em certos aspectos a Austrália é um Brasil que saiu do papel, em que as coisas funcionam melhor, em que a vontade de crescer não esbarra na burocracia e na falta de transparência.

Na aparência, a Austrália tem uma beleza consciente, sabe que chama a atenção e gosta disso. É um país “com silicones”- no melhor sentido-  querendo angariar espaço nos olhos de viajantes, querendo ser a garota da capa pousando em meio a conchas e asfaltos. É um conto de fadas a venda para um mundo desenvolvido cada vez mais exigente com destinos exuberantes estruturados ,  e funciona bem como país-sede do amor para casais viajantes em anos-sabáticos –pós-universidade. Bondy que o diga: uma região/ praia que acolhe brasileiros sorrindo com o mar.

Sidney é arquitetônica, badalada, é uma cidade solar, tem um  ar carioca, descolada e possui uma pluralidade no jeito de se mover e de ser. Tem aborígines metropolizados, tem um aquário com peixes que só são visíveis no escuro, e  uma reserva  em que você interage com vários tipos de marsupiais.

Melbourne é prima de Londres: distinta, inteligente, se permite ser pólo urbano e ao mesmo tempo abriga reservas de pinguins e a majestosa Great Ocean Road, uma linda estrada envolta por um mar de pedras.

Golden Coast parece uma cidade de ares universitários com praia dentro, e possui os parques de diversão Off-Disney,  que são tão divertidos quanto.

Cairns é uma cidade com jeito de Itanhaém, que possui  uma versão soft do ” Piscinão de Ramos” , e é nela que se localiza a barreira de corais. A cidade é toda ternura com sua feirinha noturna cheia de barracas com massagens orientais, baladas com clipes no telão ou um cassino que no ultimo andar abriga um mini-zoológico inusitado que tem coalas, exóticas aves e crocodilos.

Ir a Austrália é alcançar o nosso extremo oposto do mapa e encontrar por lá um pouco de nós, nossas continuações e nossos antônimos. É lugar de ser radiante consigo, de se dar tempos felizes de presente, de trocar a expressão “dia a dia” por “vida a vida”.

Flores Raras

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Estranho me parecia a coisa de um diretor brasileiro fazendo um filme hibrido, colocando Glória Pires – falando em inglês- para namorar Elisabeth Bishop  num ninho de amor e intimidade em Petrópolis.

Bishop tem um jeito alérgico, é frágil, recatada, caprichosa, etílica, aflita, elitista, gosta do bom e do melhor,  sofre em versos, é uma náufraga perdida em um jardim ilusório esperando por resgate, um barco de papel entregue a correnteza.

Glória Pires tem um pique de interpretação admirável, que se impõe ao ceticismo em relação a atrizes de televisão. Não tem medo de trampolins, seu inglês não compromete, parece uma mistura de suas personagens mais rígidas.

Se faz necessário esse exercício: falar de Glória para se alcançar Lota de Macedo. Glória exige respeito em cena, exala coragem ao desbravar mulheres como essa; com conteúdos complexos  e esse ímpeto alcança a força que a personagem  precisa. Lota é arquiteta, atrevida, fervente, imperativa, e simpática a poligamia, beija na boca com gosto e é livre e presa a própria genialidade. Lota é capaz de se encantar com a lua e querer rouba-la do céu. Lota Pires, Glória de Macedo.

Fui conquistado, fui me rendendo a uma direção de arte com lindos traços de arquitetura dos anos 50/60.

Esse filme não vem pra discutir relações gênero, ele da um passo além, pois fala de liberdade dentro das relações  sejam elas como forem, é apologético ao amor. Não há ciência, nem explicação, nem didática e isso traz substância para que a arte sinta liberdade para se propagar.

Branca de Neve

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Um arroubo: O preto e o branco que colorem. Os olhos da menina, quem diria, ficam mais visíveis, dizem de tudo, se aproveitam da farsa da timidez da imagem.

Espasmo, cinema mudo, calado, letreiros de outdoor e uma branca de neve toureira.

A fotografia: colosso visual para poetas com água na boca.

Maribel Verdu: olhar barroco, maldade de madrasta, nobres figurinos extravagantes. Majestade Verdu.

O som, a trilha, cifras, soundtrack para ouvidos sortudos.

Branca de neve ou Blancanieves de Sevilla. Uma relíquia, um antiquário dos anos 10, um perfeccionismo virginiano.

Mais um filme de agradecer.

3 longas que vem por aí com atores atacando como diretores. Veja os trailers.

“A Vida Secreta de Walter Mitty” – direção de Ben Stiller: é inspirado em um conto em que um homem passa a frequentar um mundo fantasioso e embarca em uma aventura em escala global.

previsto para Dezembro.

“Don Jon”- direção de Joseph Gordon Levitt  – um viciado em pornografia que se apaixona pela personagem de Scarlett Johansson que é romântica e está buscando o príncipe encantado.

previsto para Novembro.

“O Verão do Skylab” – direção de Julie Delpy

Julie, que já dirigiu outras vezes, emplaca agora um filme sobre as descobertas da infância, a vida em família, a sexualidade e a política.

previsto para próxima semana.

Paulistano: que tal um rink de patinação com pizza a vontade de quarta-feira?

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A Mooca não é apenas um polo gastronômico irresistível. Lá também existe um rink de patinação que resgata toda uma nostalgia anos 90, quando os RollerBlades e rodinhas “Moska” eram febre. Me lembro que antigamente que ter patins com rolamento era um plus, enquanto quem não tinha era quase como alguém que hoje em dia não tem um note mas sim um Desktop.

 

A Roller Jam além de ser um lugar para prática de patinação, também possui outros atrativos, como fliperama, e pizza a vontade inclusa no preço nas quartas- feiras.

Funciona nos seguintes horários:

Qua – Qui: 18:30 – 22:30
Sex: 19:00 – 04:00
Sáb: 15:00 – 04:00
Dom: 15:00 – 22:00

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R$ 20,00
aluguel de patins
R$ 10,00 pelo período de 4h aos sábados, demais dias o período é livre.

fica na Rua Fernando Falcão 393 – Mooca.