A última história

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O grupo 59 é um dos meus prediletos porque sabe deixar as palavras mais macias, porque nos mima com um melado gostoso de gato- malhado  que lambe o leite. Um conjunto que possui o ar EAD de impregnar os alunos com seu mágico purismo- vanguardista-não intencional, além de um domínio sobre a arte da voz, do gesto, do jeito, do brilho, da habilidade, das expressões, do batom.

“ A Última história” é mais uma certidão coletiva de um admirável trabalho em equipe: atuam em rede, numa ciranda notável que gira por almas voluntárias, disponíveis e tomadas de teatro-tesão. Uma fabriquinha de generosidades cênicas: alguns muito generosos, e outros tantos um pouco mais do que muito generosos. Parecem nos dar de presente a todo tempo. E que lindos laços estes que nos embrulham. Cada um expondo seu melhor porcelanato, cada qual abrindo com cortesia ao respeitável público seu circo-propriedade.

Cada ator parece ter um superpoder, um dom em exposição. O pianista que com sua espaçosa tonicidade criativa invade, interfere, se espalha e emana toda a aura de um charmoso e boêmio café decadente. O canto da mulher-apoteose que chega voando, e nos flecha com sua alada afinação, ela dó-ré-mi-faz-sol. O palhaço amarelo na ponta do pé que não mais sai do chão do sonho, fino-lindo-linho. A menina que com sua hiperativa fita vermelha faz um zig-zag em nosso olhar seguidor. E a expressão facial, sem igual, da moça cativante que nenhum óculos besta esconde? Que pássaro é esse jeito-corpo de um velho andar, feito por quem a gente manja que sabe voar. Tem também um joelho que sustenta uma interpretação com meio metro de infinito preparo. Tudo no espetáculo é um crochezinho, é cuidado, é um festejo de cores primárias: azul- vermelho-amar-elo- amor-que é cor.

Convido vocês a provarem deste BOLO crocante de infinitas cerejas.

Cisne Negro

 

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CISNE NEGRO está na prateleira dos SENSACIONAIS

Uma aula de entrega e disponibilidade de Natalie Portman que prova que “sabe voar”. É um filme de “terror intimista”, que traz o tempo todo uma tensão over-brega e justamente por isso borda um tom muito particular, bonito e angustiante em quem assiste.Se for ator então…

E aquele final brilhante de arrepiar a espinha?

Sobre o que fala o filme? Sobre SENTIR!

Vale cada centavo.

Favoritar é:

Tudo começou de um jeito recreativo. O que eu escrevia nas redes sociais vinha de uma vontade genuína de compartilhar bons momentos: sentimentos geralmente relacionados com cultura ou com as minhas maravilhosas viagens. Eram resíduos mágicos que ficavam registrados no meu olhar e que eu de certa forma queria dividir com as pessoas de um jeito enfeitado, com cerimônia, perfume e cereja em cima.

Nunca me atentei à  essa paixão, mas ela vinha de pequeno, quando eu fazia roteiros televisivos de brincadeira, quando eu obrigava meu irmão a ter aulas de português comigo, pelo prazer de escrever na lousa. Recentemente após ouvir de muitos amigos sobre a agradabilidade dos meus textos, comecei a perceber, que olhar nos olhos dos outros através das palavras, me fazia bem, mas, ao mesmo tempo me parecia algo distante e até um pouco arrogante. Me assumir escritor era quase o mesmo caso de uma criança dizendo que queria ser astronauta. Um escritor expõe seu lado de dentro pro mundo, de um jeito arriscado, quase irreversível, já que as palavras não voltam atrás e afirmações se confundem com verdades. Deu medo porque escrever te coloca como um comunicador de opinião, daí que nessa hora minha formação como ator finalmente se justificou. Muitas vezes tive certeza que a minha vocação era o palco. Essa certeza se transformou em dúvidas, mas junto delas veio uma epifania de que ter me trabalhado nessa arte,  possibilitou-me escrever com liberdade, com poesia e principalmente com sensibilidade. Meu diferencial não está apenas na forma mas também no jeito de olhar.

Escrever também é atuar, é ativar a sua profundeza e trazer à tona seu jeito de ver, de ouvir ou de vomitar, mesmo que isso não seja exatamente real, mesmo que isso seja uma mentira verdadeira. Sem que eu percebesse o exercício da escrita me tomou a mente em diversas ações. Eu comecei a “escrever” andando, comendo, nadando, tomando banho, comecei a escrever onde não havia teclas. Escrever não era mais algo que envolvia sentar e digitar. Escrever virou fisiológico, virou uma paixão misturada a uma necessidade. Passei a andar com um caderno de garranchos, em que eu jogava meus lapsos instantâneos de um jeito desconexo e  finalmente, eu tinha a resposta para aquela famosa pergunta: o que eu levaria pra uma ilha deserta? O meu bloquinho de ideias, oras! A partir desses registros, serpentinas e sinais de fumaça vindos da vida,  resolvi criar o ~Favoritei~: um blog-guloseima nem um pouco calórico, mas cheio de calor que coloca minhas miudezas cotidianas a serviço da inspiração de cada um. Não quero com ele, dizer o que é melhor pra você, mas despertar em você uma vontade de achar o seu melhor, e sair por ai curtindo e FAVORITANDO o que te faz sair do chão: amigos, momentos, lugares, filmes, ou amores.

Com carinho, amor e cuidado, a partir de agora vou bordar com as minhas melhores palavras o tecido desse acervo do que me toca, do que me é catártico, de tudo o que de bom eu trouxe nos olhos.

127 horas

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Embora pelo trailer aparente ser um “filme cartão-postal”,  127 HORAS é um filme aflitivo, com a marca videoclipada (quase em linguagem publicitária) de Danny Boyle, que não cai na monotonia em nenhum momento, mesmo sendo centrado num só ator : James Franco, que brinca de atuar, chora quando ri e ri quando chora.

Gostei de tudo,desde as intervenções estéticas, pausas frenéticas, até o momento “JIGSAW”.

Show do Chico

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Confesso que cheguei com certa timidez ao HSBC, pois não tinha carteirinha de fã e pior: conhecia apenas discretamente o cardápio musical de Chico, sabia algumas letras, sabia do Chico que atirava poesia nos injustos da Ditadura, sabia da “ópera do malandro” e do “leite derramado”. Sabia do Mito-Chico e sua polivalência nas artes.
Todas já estavam “de Chico” (um perigo), quando ele finalmente entrou, pude finalmente perceber que a descomplicação de seu nome não vinha SÓ de uma intimidade forjada, mas também de sua simplicidade. Chico involuntariamente promove uma quebra de protocolo no que se refere a condutas medíocres de comportamento de celebridade, prefere desmistificar sua figura, dispensa badalações. Chico é da plebe. Chico prefere ser “apenas” um de nós. É só Chico! Chico é ISSO TUDO. Pedro do tijolo, Eduardo das bandejas, Luiza do Canadá, Chico das PALAVRAS. Nós que falamos em português, Chico que fala em BRASILEIRO.
Chico faz um arroz com feijão musical arrojado, familiar. Muitos dizem que como cantor Chico é um ótimo compositor. Realmente Chico não canta, declama cantadas. Chico não canta, se confessa rimando. Chico não canta, se queixa com sutileza. Chico não canta, simplifica as dores. Chico CANTA.
Chico tem uma lábia capaz de levar todas pra casa na malandragem de seus versos: Marietas, Genis e Marias-Chiquinhas.
Melhor do que todo esse encontro narrado acima, só quando um evento supera o outro na mesma ocasião. Levei meu pai pra assistir ao show comigo e isso tornou tudo ainda mais marcante. Afinal Chico é HEREDITÁRIO.